7.31.2008

Back to the future

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Saindo um pouco do assunto música, olhe bem as figuras abaixo:



Pois o skate antigravitacional - ou hoverboard, no original em inglês - que o Marty McFly usava no De Volta para o Futuro 2 está à venda. Na verdade, não o skate, mas o pedaço de plástico usado originalmente no filme como sendo o apetrecho.



O preço inicial parece que está em $30.00. Se pelos menos voasse como o do filme...

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7.28.2008

Dica

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Depois de uma semana de férias, um post por aqui. Bem se sabe que se demora um tempo para voltar ao ritmo de não-férias, então hoje a postagem vai ser um pouco preguiçosa.

É só para dar uma dica um tanto quanto atrasada, mas que ainda vale: o Trama Virtual criou um novo site, Álbum Virtual, que disponibiliza, na íntegra e de forma gratuita, álbuns da casa para download. Os que estão por lá por hora são o badalado Donkey, o novo do CSS - agora só ciesseesse mesmo, não mais também Cansei de Ser Sexy - o primeiro álbum da boa banda instrumental de Cuiabá-MT, Macaco Bong, Artista Igual a Pedreiro, e Danç-êh-sá ao vivo, do mestre Tom Zé.

Vale avisar que os discos ficam disponíveis por um tempo limitado. Mas não me pergunte quanto é este tempo.

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7.18.2008

Filha do homem

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A princesinha do grunge, Frances Bean Cobain, nascida em 18 de julho de 1992, hoje faz 16 anos. Para comemorar a data, uma revista americana de moda fez um editorial com a moça.



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7.16.2008

Isto é criatividade

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Parece que o Radiohead não deixa a bola cair quando se trata de inovar - seja em estratégias de vendas, em misturar música erudita com rock, em criar iluminação para shows, em fazer clipes ousados...

Dá uma olhada no clipe novo da banda, "House of Cards", a melhor música do último álbum, "In Rainbows", do qual já falei aqui:


Ele foi feito através de uma tecnologia 3D que usa lasers para coletar informações dos corpos e das distâncias destes em relação aos objetos próximos.
Sem câmeras, nem luzes.
Quem dirigiu o clipe foi James Frost.

Depois, olhe aqui abaixo fotos do show da tour do disco - prestem atenção na iluminação do palco.



Infelizmente, nada deles tocar no Brasil este ano, como foi cogitado por aí.

Créditos fotos: Conector


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7.12.2008

Pérolas Videoclípticas (18): The Band


Para ficar numa descrição bem rápida, pode-se dizer que a "The Band" foi uma das grandes bandas do anos 60, responsável por acompanhar Bob Dylan na fase de transição do folk para o elétrico, em 1965 e 1966, e por lançar dois dos melhores álbuns de rock da época - Music from Big Pink (1968) e The Band (1969).

O vídeo acima é de um dos grandes filmes de performances ao vivo, The Last Waltz, gravado por Martin Scorsese em 1978. A música é a que encerra o filme, "I Shall be released", de Bob Dylan, com direito a participação do próprio (em visual hard rock western) e mais Ringo Starr, Neil Young, Eric Clapton, Ron Wood (Faces, Rolling Stones), Van Morrisson, dentre outros convidados especiais.

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7.10.2008

Brincar de ser feliz

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Nunca tive a vontade de escutar a Fresno. Mas tinha curiosidade, porque ouvia falar deles como não "apenas mais uma banda emo", e o seu esquema de divulgação pela internet é um bom case nessa área.

Saciei minha curiosidade em um show que virou DVD na MTV que a Fresno tocava ao lado do NX Zero, For Fun, Hateen e MopTop. Vi uma banda medíocre tocando músicas que eu não tenho mais como gostar - com 22 anos fica difícil achar interessante letras dores de cotovelo repleta de clichês embaladas em melodias rápidas e gritinhos beirando aos histéricos.

Mas li em algum lugar que a Fresno "tinha crescido". Clichê perigoso esse, porque "crescer" as vezes é desculpa para guinadas que destroem o pouco de bom que bandas como a Fresno tinham enquanto jovem banda.

Mas eis que vi esse vídeo abaixo, da banda tocando "Brincar de ser Feliz", clássico imortalizado nas vozes de Chitãozinho & Xororó e em paródias alimentares nesse Brasil afora.


Eu gostei da versão. Em primeiro lugar, porque demonstra algo muito saudável para uma banda: senso de humor. Não se levar (muito) a sério é característica presente nas melhores bandas que já tocaram por aí, não preciso nem citar exemplos para justificar isso.

Em segundo lugar, porque a letra romântica, tão piegas que chega a ser boa, casou bem com a que me parece ser a proposta atual da banda: manter uma certa temática "emo" - ou de letras sobre relacionamentos, porque emo hoje virou palavrão - que é a inevitável base da banda, e, ao mesmo tempo, dar um passo além do rótulo antes que ele o aprisione para sempre, como, por exemplo, parece ser o caso do CPM 22, por mais "diferente" que eles hoje estejam soando musicalmente.

Ao tocar uma versão "rock" de brincar de ser feliz, a Fresno parece dizer: "não somos mais o que vocês acham que nós somos. Veja: estamos até brincando com aquilo que éramos!".

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Em tempo: a Renuska fez uma resenha sobre o último disco da banda, não por acaso chamado "Redenção". Outro vídeo da Fresno tocando "Brincar de ser feliz" é esse aqui, no pocket show do My Space. A versão é acústica, parecendo mais melancólica que a do vídeo mais acima.

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7.07.2008

Mallu de novo (4)


Terça-feira passada, Mallu Magalhães apareceu no famigerado Prêmio Multishow - que se orgulha de ser o único em que só a audiência escolhe. Foi "convidada" a tocar uma música do Legião Urbana. Queriam que ela escolhesse uma bem óbvia, como "Faroeste Caboclo" ou "Ainda é Cedo", ou, então, uma que caísse mais no esquema folk da guria, tipo "Eduardo e Mônica".

Mas ela não escolheu nenhuma dessas e sim "Música Urbana", que virou um surpreendente blues-folk na interpretação pra lá de corajosa da Mallu. Virou lugar comum dizer que a guria vai longe, mas eu só acredito agora, depois deste vídeo.

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7.04.2008

Revival particular (2): Nirvana e o Nevermind

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"Nevermind" foi o principal responsável pela talvez última "revolução" do rock. (E quais seriam as outras? os Beatles e a British Invasion, o punk, o pós-punk?)

Fiz essa afirmação em palavras mais definitivas numa antiga matéria que fiz pro jornal A Razão, na época em que cuidava do saudoso Caderno Teen do jornal, publicado às quintas-feiras. Nem lembrava que também tinha publicado este texto aqui no blog, exatos 1 ano, 7 meses e quatro dias atrás, ainda no tempo em que não existiam tags nem justificação de texto no Blogger.

Dia desses, em conversa com amigo meu via msn, lembrei dessa matéria. Turbinados por um saudosismo recorrente nestes últimos meses, conversávamos sobre uma reportagem publicada na Bizz em 1992, re-publicada no portal G1, quando da ocasião de 15 anos de lançamento do Nevermind - a mesma ocasião que me fez escrever a matéria para o Teen.

A reportagem, escrita pelo saudoso André Forastieri, era um sincero - e por isso mesmo excelente - depoimento pessoal-entrevista com Kurt Cobain. Forastieri se colocava como uma "Testemunha Ocular da História", e tratata de fazer um comparativo entre a sua vida e a de Kurt, colocando o hoje mítico líder do Nirvana como um cara caipira igual a ele, que compunha como ele e outros adolescentes esquisitos, malucos, sonhadores, obsessivos, nerds comporiam - ou intuíriam que comporiam, porque Kurt fez e ele(s) não.

Essa idéia, a de que Kurt conseguiu falar aquilo que toda uma geração sentia e gostaria de ter falado, é aquela que pode explicar em boa parte o que foi o sucesso o Nirvana e do grunge. E é essa a idéia que eu coloquei também no texto do Teen, embora com deveros vícios infantis/juvenis que na época ainda mantinha por demais em meus textos.

Reproduzo abaixo, então, o texto principal da matéria que saiu no Teen de 28 de setembro de 2006:

A última grande revolução no rock





Há 15 anos atrás, em setembro de 1991, o Nirvana lançava o seu segundo álbum, “Nevermind”. Ninguém imaginava a revolução que ele causaria.


Uma revolução, pelo menos na música e talvez também na cultura pop, nunca é realmente percebida quando está acontecendo. No caso específico da música, quando um álbum é “inovador”, “original” para a época, uns poucos gatos pingados escutam, e a maioria desses ainda não percebem o potencial explosivo do que estão escutando. É preciso tempo – dias, semanas, meses, por vezes até anos – para assimilar o impacto, porque se ele é realmente inovador, não vai haver nada, pelo menos naquela época, que sirva de base de comparação para uma definição qualquer. No máximo pode haver, entre uns poucos mais rodados de bagagem musical, uma sensação de que “algo está acontecendo”.

Há quase exatos 15 anos atrás, em 24 de setembro de 91, esse “algo está acontecendo” foi sentido pela ultima vez na história da música pop. “Nevermind”, o segundo álbum do Nirvana, chegava às lojas de todo o planeta embalado pelo explosivo clipe de “Smells like teen spirit”, o primeiro single do disco. Em pouco tempo, a gurizada roqueira – que na época era maioria em praticamente todo o planeta – começou a trocar os excessos do hard rock farofa de bandas como Poison, Motley Crue, Guns’n’Roses, pela simplicidade e sinceridade da música feita por apenas três caras, liderados por um jovem loiro do interior dos Estados Unidos, que se vestia de xadrez porque os trabalhadores da sua região assim se vestiam, e – suprema inocência! – tocava poucos e barulhentos acordes porque era assim que sabia fazer. Alguns meses depois de lançado, mais precisamente em janeiro de 92, “Nevermind” já destronava o então rei do pop Michael Jackson do primeiro lugar da Billboard, a mais famosa das listas dos álbuns mais vendidos do planeta, e Kurt Cobain, o tal jovem loiro, era o rock star mais amado do mundo.

Hoje em dia, quem escuta o álbum pode até se perguntar “mas o que tem de inovador nisso?”. Na época, misturar guitarras barulhentas – nem tão rápidas quanto às do punk rock, nem tão pesadas quanto às do heavy metal – com melodias pop era algo bastante inovador e original. Mas, talvez, o que tenha marcado mesmo o Nirvana tenha sido a atitude da banda: quem estava ali eram três pessoas normais, que falavam e faziam as mesmas coisas que todo mundo, que não eram fabricados por empresários e produtores nem forçavam a barra como os posers do hard rock. Era o retrato fiel de toda uma juventude que acompanhava de perto o tal mundo pop, mas nunca se via lá.


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Em um dos boxes na matéria, coloquei a primeira resenha publicada do Nevermind, escrita pelo jornalista norte-americano Ira Robbins e que saiu na edição 618, de novembro de 1991, da Rolling Stone americana. É um texto que enxerga Nevermind como um grande disco, mas que apenas pincela o impacto que ele causaria no futuro, porque mesmo na época do seu lançamento isso ainda não tinha ficado tão nítido quanto é pra nós hoje.


"
Liderados pelo vocalista e guitarrista Kurt Cobain, o Nirvana é a última das bandas surgidas no underground que vem testar o grande público para o rock alternativo. Devido a rigidez da porção das pessoas que desfrutam do rock de guitarras que não é o heavy metal, a versão da verdade do trio do estado de Washington é, provavelmente, tão crível quanto qualquer outra.

Uma dinâmica mescla de power chords, energia frenética e sobriedade sonora, o Nirvana ergue sólidas estruturas melódicas - rock que gruda no ouvido, cujos expoentes principais são o Replacements, Pixies e Sonic Youth - e logo as trata de demolir com gritos desaforados e caóticas explosões guitarrísticas. Quando Cobain decide ser punk - e sua voz é um instrumento muito versátil para isso - deixando de acariciar a melodia para raspar com a força de gritos por vezes deslocados, o baixista Krist Novoselic e o baterista Dave Grohl entram para manter a canção equilibrada, evitando que ela não se desintegre de modo caótico. Mesmo que o Nirvana não esteja fazendo nada de verdadeiramente novo, “Nevermind” tem as canções, o caráter e o espírito para ser muito mais do que uma mera reformulação dos hits oitentistas do rock universitário americano. (...)

Contendo alguns ocasionais (e provavelmente intencionais) erros de gravação, a maioria das canções (como “On a plain, “Come as you are” e Territorial Pissings”) mostram a habilidade da banda em introduzir a sutileza em um contexto denso e barulhento. Num outro extremo do disco, “Something in the way” flutua numa nuvem translúcida de guitarras acústicas e violoncelo, enquanto “Breed” e “Stay Away” são puro barulho; esta última, ainda, termina com uma impactante explosão sonora. (..)

Frequentemente, as bandas do underground gastam seus esforços em discos que não estão preparadas para fazer, e logo dilapidam suas forças e inspiração em árduas turnês. “Nevermind” põe o Nirvana numa encruzilhada: são operários gladiadores do rock garageiro que põem seus olhos em uma terra de gigantes.

Ira Robbins, novembro de 1991
"
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No outro box, constava um pequeno texto sobre a produção da famosa capa do disco.


A capa do Nevermind é uma das mais conhecidas da história do rock. A idéia inicial bolada por Kurt Cobain era a de estampar no disco a foto de um bebê nascendo na água. Como era muito caro comprar uma foto desse jeito, decidiram contratar um fotógrafo, Kirk Weddle, que para realizar pelo menos uma parte da idéia de Kurt, pediu para retratar o filho pequeno de um casal de amigos. Então, mesmo sem ganhar nada, Spencer Welden, na época com 4 meses e hoje com 17, foi fotografado nadando em direção a uma nota de um dólar; sem querer, o bebê acabou se tornando um símbolo de toda uma geração.

Tempos depois, o Nirvana ainda retribuiu seu “modelo infantil” com uma cópia em platina de “Nevermind”. A revista Rolling Stone, no aniverário de 10 anos do álbum, pegou o mesmo Spencer e repetiu a foto, desta vez com o guri nadando em direção a uma nota de dez dólares.

Sátiras da capa famosa também foram produzidas pela Rolling Stone, uma vez usando Bart Simpson como o bebê
, e outra, desta vez já da RS Brasil, usando Homer como o bebê.

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Por falar em André Forastieri, apresentei aqui no blog a primeira crítica do disco produzida no Brasil, justamente escrita pelo cara, na época editor da Bizz. Para finalizar este post, que vem saciar mais a minha nostalgia por Nevermind do que por qualquer outra explicação jornalística, coloco de novo a resenha do Forastieri, boa e polêmica como poucas conseguem ser:

"
"Esses caras vão nos enriquecer." Bruce Pavitt, dono da gravadora Sub Pop, sobre o Nirvana. Na BIZZ 6O, junho de 90.

Ou seja: o fato do Nirvana ter vendido mais de 2,5 milhões de cópias só nos EUA e desbancado Michael Jackson do alto da Billboard não deve surpreender você, velho leitor de BIZZ. Como diz aquele slogan da nossa colega corporativa/concorrente eletrônica, você viu antes aqui.

Mas as vendas que se danem. A questão fundamental é, como sempre: vale a pena desembolsar aquela suada bufunfa para comprar Nevermind?

Se você gosta de Pixies ou Damned ou Stooges ou Kinks/Who ou Gang Of Four fase Entertainment! ou Mudhoney ou rock de garagem sessentista ou qualquer tipo de hard rock áspero, puto e sem polimento, vale. Principalmente, se você gosta de punk californiano politizado, vale a pena. Vale vale vale. Compre três, dê um para o seu amor e outro para o seu melhor amigo.

OK, segunda questão - e aí é papo de jornalista, de gente que está tentando entender o que se passa no universo adjacente e não se limita a curtir as coisas (não que só curtir seja limitante, mas compreender é o nosso emprego e a nossa obsessão - ou pelo menos deveria ser). Pergunta 2: que significa a velocidade warp com que o Nirvana saiu dos cafundós do estado de Washington para os corações, as mentes e os toca-discos do público americano, quiçá mundial?

Significa que punk's not dead, oba! Quinze anos depois, os espertos da nova geração assumiram o punk como sua melhor representação musical. É, o Nirvana é punk, sim, punk paca - ainda que seu vocalista-letrista-guitarrista Kurt Cobain, 24, seja muito novo para ter curtido punk na época.

E punk não só na avalanche animalesca de distorção e hormônios que jorra dos instrumentos. As letras também são violentíssimas, negras, radicais mesmo (sem escorregar para o niilismo burro que impera no underground americano). Falam de amor, sexo, preconceito, inteligência; do estado das coisas e do sentido da vida. Confira "Smells Like Teen Spirit", sobre a apatia teen, que está traduzida nesta edição... mas a melhor mesmo é "Breed". É, segundo Cobain, sobre "Ser de classe média, casar jovem, ter filhos, assistir TV toda noite - e detestar tudo isso".

A década de 90 já tem seus Dead Kennedys - e desta vez, eles estão no topo das paradas.



André Forastieri, março de 1992
"

Créditos fotos: Rollingstone.com
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6.30.2008

Clipping de segunda

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Cristiano Bastos, já famoso para quem frequenta este blog, está em processo de gravação do documentário sobre o álbum Paêbirú & Vida e Obra de Lula Côrtes. Aqui a notícia sobre quem está no projeto e de como ele será realizado.

(Paêbirú" é um disco gravado por Lula Côrtes e Zé Ramalho em 1975, presença certa nos anais da melhor psicodelia brasileira já produzida; Lula Cortês é um artista pernambucano "multimídia" bem antes de existir esse termo, e também um dos pioneiros na fusão de ritmos nordestinos com o rock'roll.)


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Minha ex-colega de jornalismo na UFSM, Thaís Brugnara Rosa, lançou faz pouco um blog sob suas impressões/matérias/críticas/relatos sobre arte e cultura.

Começou falando de um monólogo às cegas sobre Jorge Luis Borges, do road love movie My Blueberry Nights, e de um dos mais recentes lançamentos da coleção Jornalismo Literário, da Companha das Letras: "O livro das vidas", uma coletânea de obituários publicados no New York Times dos anos 90.


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Experiente jornalista musical, Mauro Ferreira detona "Stuart Sutcliffe, o Beatle que foi esquecido", documentário sobre a vida do primeiro baixista dos Fab Four, morto aos 22 anos, em 1962.

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6.24.2008

Good Times, Bad Times (2)

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Enquanto me atolo em trabalhos do Mestrado, sobra um tempinho para postar alguma coisa interessante aqui.
Mas aguarde, em breve mudanças neste blog.




A resenha clássica de hoje é do André Forastieri, também um dos nomes da fase áurea da Bizz. Forasta, como muitos o chamavam, é daqueles críticos que não tem receio algum de expor sua opinião; por esse motivo, já arrumou briga com meio mundo, exaltou discos que nunca mais se falou, e, também, deixou pérolas em formas de resenhas. Uma delas é esta aqui, onde ele tece loas ao disco Angel Dust, do Faith No More, lançado em 1992.

A gravadora London disse que esse álbum é suicídio comercial para o Faith No More. E é mesmo. Não tem nada a ver com The Real Thing, "Epic", "Edge Of The World", todo mundo cantando junto e balançando as mãos e tascando sorvete na testa.

Não, isso é um esporro -purulento -paranóico-escroto- sanguinolento, cérebros explodindo multidirecionalmente, picas frustradas se ralando no cimento e sangrando em cima de crianças miseráveis morrendo de fome. Demônios à solta. Adeus fãzinhas púberas, adeus MTV, adeus tudo. Não tem uma porra de um sucesso neste disco. O Faith No More foi longe demais.

"Midlife Crisis", o primeiro single, dá uma pista do disco mas não entrega o jogo. O próximo ("A Small Victory") é a coisa mais "fácil" de Angel Dust, mas suas possibilidades de sucesso foram abortadas com sete meses -os caras botaram um trecho completamente anticomercial e esquisito no meio. Por que esse desejo de se matar? Não vem ao caso, mas é quase grande arte.

Angel Dust é Frankenstein: pedaços de gêneros estabelecidos que não estão mortos mas já fedem -metal, hip-hop, country, thrash - fundidos numa criatura única, simultaneamente podre e rebimbando de vitalidade. O NME chamou de schizo.core, hardcore esquizofrênico. É um bom rótulo, mas não é suficiente.

Seguinte: não tem uma letra simples no álbum. Daria para dizer que são quase poemas se não fosse soar tão pretensioso, poemas no sentido William Burroughs da coisa. Exemplo 1: "os balanços do parquinho não me acomodam mais/folclore: ninguém deveria acreditar que no próximo ano tem aula/escreva cem vezes"(em "Kindergarten").
Exemplo 2: "Chegou a hora de falar com meus filhos/vou dizer a eles exatamente o que meu pai me disse/ VOCÊ NUNCA VAI DAR EM NADA" (em "RV").
O detalhe é que não tem uma letra que dê para cantar junto. A estrutura das músicas não permite, e a voz de Mike Patton varia radicalmente e vai do velho falsete (pouco usado) a puro terror thrash a baladeiro canastrão.

É tão absurdo que no primeiro lado, logo depois de "Midlife Crisis", tem uma música que parece Frank Zappa ("Rv") seguida de um funk metal sujão ("Everything´s Rnined") e de outra que lembra Godflesh/Sepultura, distorção no talo e vocais monstro (´Malpractice").

Minha favorita, "Be Agressive", lembra um pouco "We Care A Lot", sugere sadomasoquismo, começa com órgão de igreja, tem coro infantil no refrão e guitarra wah-wah. Patton está furioso: "O que outro deixaria para trás, cuspiria fora, desperdiçaria eu assumo como meu". Mas as coisas vão mesmo para o inferno em "Jizzlober". É grito choro dor primal, me arrancaram do útero, um pesadelo de distorção e desespero.

O que significa isso tudo? Não sei e não me importo. Vou deixar para alguém mais esperto que eu o trampo de decodificar Angel Dust.

André Forastieri

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6.17.2008

Revival particular (1): Alive

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O
revival anos 90 está ensaiando faz um tempo para entrar de vez, embora iniciativas como o Almanaque Anos 90, do Sílvio Essinger, estejam aí para mostrar que não se está mais ensaiando coisa nenhuma, e que até mesmo musicalmente já se está revendo - com olhos mais caridosos, naturalmente - a década passada.


É natural que isso aconteça, já que o revival anos 80 e suas inúmeras festas derivativas da Ploc original estão cansando - muito embora elas estejam cansando pela obviedade de suas opções, não porque os anos 80 não tenham material suficiente para sustentar festas e iniciativas deste tipo.

Mas o que as vezes se esquece é que estes ciclos de repetição cultural, além de serem comuns à natureza humana desde seu princípio, são também ciclos de realimentação. Longe de estar morta, a criatividade está no deglutir o passado e formatá-lo de acordo com as questões culturais do presente.

Num momento em que se tem mais e melhor acesso ao passado recente, como a internet proporciona ao atual, nada mais natural e óbvio que recriar esse passado recente das mais diversas formas, sejam elas com mais ou menos carga de originalidade.

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Dito isso, quero fazer um revival particular: resgatar o vídeo de uma das (ainda) grandes músicas da minha vida, em sua versão acústica e tão boa quanto a original: "Alive", do Pearl Jam.



Alive virou hino de um pessoal que cresceu - e talvez aprendeu - a escutar música com o grunge e seus principais nomes: Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains e o próprio Pearl Jam. Está tão ligada a este período do início da década de 1990 quanto, talvez, esteja "Stairway to Heaven" do Led Zeppelin ao anos 1970, ou "Boys Don't Cry", do The Cure, aos anos 1980.

Como toda música símbolo de uma uma geração, Alive também foi escutada a uma exaustão que, para muitos, a desqualificou como música de qualidade. Mas é inegável assumir que ela tem todos os elementos de uma excelente música: sua introdução instrumental, tão marcante quanto suficiente para reconhecimento imediato da música, cria a expectativa necessária para o primeiro primeiro verso - "Son, 'she said, Have I got a little story for you" - , gritado-cantado por Eddie Vedder com a urgência de que a letra pede; o refrão é explosivamente pop, três power chords acompanhando a melodia e assessorando o canto - "I'm still aliveeee" - que ecoa como um brado de libertação de uma alma traída.

O longo solo de Mike McCready, melodioso e também virtuoso, finaliza a música com o tipo de caos que se previa desde o início: genuíno, transparente e, acima de tudo, libertador, como só poderia ser uma música que se chama "Alive".


P.S: A foto que abre este post é Eddie Vedder dando um baita mosh, tirada daqui.


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6.16.2008

Notícias (um tanto quanto) Bizarras

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As últimas pérolas que o Terra Música nos brinda nestes dias de frio intenso no sul do Brasil.


Jay-Z é processado por plagiar estilo de cantar rap

O rapper norte-americano Jay-Z está sendo processado pelo pugilista Mitchell Rose por usar sem autorização o estilo de cantar rap do boxeador. Rose pede uma indenização de US$ 88 milhões. O pugilista alega que Jay-Z roubou seu estilo de cantar sussurrado após ouvir uma demo sua.
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Músico sueco morre durante mergulho

O músico de jazz sueco Esbjorn Svensson morreu no sábado aos 44 anos quando mergulhava em Estocolmo, anunciou seu agente."Morreu no sábado em um acidente de mergulho em Estocolmo", afirmou o representante de sua banda, a Esbjörn Svensson Trio (E.S.T.), Burkhard Hopper. Hopper não informou mais detalhes sobre o acidente fatal, mas a imprensa sueca informa que Svensson estava mergulhando no mar Báltico com um grupo, que incluía um instrutor, quando desapareceu subitamente.
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Gilberto Gil diz que internet retoma liberdade da Tropicália

Às voltas com o Banda Larga Cordel, seu mais recente disco, Gilberto Gil aporta dia 4 de agosto no Vivo Rio;será a grande atração do 2º Prêmio TDB!, em seu primeiro show brasileiro da turnê, depois de passar este mês e o próximo entre Europa, Estados Unidos e Canadá. Desde Quanta (1997), Gil não lançava obra só com músicas inéditas.
(...)
Os cabelos agora são grisalhos e ele amadureceu. "O Tropicalismo falava de fragmentação e a linguagem da Internet é toda fragmentada. Todas as bases da Internet estavam ali", enumera Gil. "Tudo o que vislumbrávamos hoje em dia é possível. O sonho tropicalista é real, ele se realizou", afirma.
Mais



Joss Stone diz que quer conhecer brasileiros


A cantora britânica Joss Stone, que está no Brasil desde sexta-feira, disse à sua produção que quer "conhecer brasileiros" e "a noite de São Paulo", informa a coluna de Mônica Bergamo no jornal Folha de S.Paulo. Solteira, ela afirmou que "pretendentes" devem mandar gardênias e convidá-la para uma feijoada sem carne, já que é vegetariana.


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Cate você também mais algumas.


Crédito foto: Zero Hora

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6.14.2008

Good Times, Bad Times (1)

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Taí algo que deveria ter colocado como seção fixa do blog antes: resenhas clássicas de álbuns. Porque, alguns anos atrás, se escrevia resenhas espetaculares nas revistas musicais brasileiras. Era um tempo que ainda existiam revistas musicais brasileiras; que se vendia CD, fita cassete e por vezes até LP; que existiam críticos completamente sem noção, sem (aparente) medo de polêmica, e que, talvez por isso mesmo, produziam resenhas que não raro eram muito melhores de ler do que se escutar o disco resenhado.

Enfim, eram bons tempos. Que eu não vivi direito, porque era novo demais e não sacava diversas ironias por falta de malícia e cabedal musical. Era muito mais difícil escutar um disco, e mais ainda ler uma opinião sobre estes. Não sei se eram tempos melhores do que os de hoje; mas que eram bons, isso eram.

***

Começo esta seção com uma resenha publicada na finada Revista Bizz do disco Titanomaquia (capa abaixo), do Titãs, de 1992.
O autor dela é o André Barcinski, um dos melhores críticos da fase que muitos costumam chamar de "áurea" da Bizz, que vai do finalzinho dos anos 80 até o início dos 90.




Local: casa de um dos Titãs.
Os sete roqueiros se reúnem para traçar as metas de seu novo álbum.

Paulo: "Bom, galera. E aí? Nosso último disco foi massacrado."
Toni: "É mesmo. Temos que pensar em algo diferente... Vamos começar pelo nome. Alguém tem uma sugestão?"
Nando: "Que tal 'Pa-Ra-Le-Le-Pí-Pe-Do'?"
Marcelo: "Não, nada de poesia concreta. O Arnaldo saiu, se liga!"
Charles: "Que tal um disco grunge? Está bem na moda..."
Sérgio: "Será que dá certo?"
Charles: "Porra, até o Capital Inicial está fazendo cover do Pearl Jam!"
Branco: "É mesmo! O Dinho rasgou todas as suas calças e tatuou 'Eu Sou Roqueiro' na cabeça."

Charles: "A gente poderia chamar aquele cara do Nirvana para produzir, o Butch Vig..."


(segue-se um longo intervalo, durante o qual Charles liga para a gravadora).


Charles: "'Rapeize', o Butch não dá, mas eles me garantem um tal de 'Jack Albino'."
Paulo: "'Albino'? Legal, talvez ele até curta o Hermento Pascoal."

Nando: "Mas eu não entendo nada de grunge. Só ouço Tom Zé e Marisa Monte!"

Branco: "Não tem mistério. O negócio é o seguinte: a gente mete umas guitarrinhas distorcidas, fala uns palavrões no meio das músicas e põe no press release que o nosso negócio agora é pauleira!"

Marcelo: "Será que vai colar?"

Sérgio: "É lógico. Brasileiro é tudo bundão! A molecada toda só está andando com esse visual grunge, eu vi no Programa Livre."

Toni: "A gente pode fazer umas fotos com visual punk!"

Marcelo: "Oba, vou estrear a minha camiseta do Tad."
Nando: "Você também fez este curso de datilografia?"

Branco: "Só tem um problema: e se esta onda grunge acabar? E se o samba entrar na moda?

Charles: "Bom, acho que talvez o Agepê toparia produzir nosso próximo disco."


André Barcinski

Crédito foto: Vinylmine
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6.13.2008

Dica preciosa

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Essa é para aqueles que, como eu, as vezes se incomoda com o novo sistema de segurança do Rapidshare, aquele que tu tem de procurar quatro gatinhos nas 6 ou 7 letras que são mostradas, como a imagem acima apresenta :

Um plugin para Firefox que avisa sempre quando estão valendo as "HappyHours", quando não se precisa procurar gatinho nenhum, basta clicar em download e deu.


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6.12.2008

Adios Los Hermanos? - parte 3

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Quando, passado um ano do anúncio de que a banda iria entrar em recesso, integrantes novamente são ouvidos e dão sua posição sobre a volta, que se torna tão possível quanto provável.



Um tempo atrás eu fiz um post (dois, melhor dizendo) sobre o polêmico comunicado que anunciava que a banda tinha dado "um tempo", e tentei explicar brevemente o contexto que estava por trás disso.

Mais recente ainda, fiz um post sobre o primeiro disco solo que o Marcelo Camelo está para lançar - aquele que abria com a apavorante imagem do Camelo vestido de noiva.

Pois nesta semana, que completa um ano do fatídico comunicado, a jornalista Lígia Nogueira, do portal G1, resolveu retomar o assunto, tendo como fonte os próprios hermanos.

A fala do Rodrigo Amarante diz bastante: "Agora o Marcelo vai lançar disco solo, então vamos esperar mais um tempinho. A gente vai voltar alguma hora, com certeza, só não sei quando”.

Ou seja, haverá volta, segundo o Amarante. E também segundo o Bruno Medina, o quase-sempre 'porta voz oficial da banda': "Até agora está acontecendo exatamente o que havíamos dito que iria acontecer. Cada um de nós se envolveu com outros parceiros, em outros trabalhos, e era justo o que pretendíamos quando anunciamos o recesso”.

Bruno continua: “Ainda não houve nenhuma conversa nesse sentido (o de voltar). Agora em junho está fazendo um ano do último show, e acho que ainda vai levar algum tempo para que retomemos as atividades oficialmente. Nada impede, no entanto, que alguns de nós façamos coisas juntos. Claro que agora nos vemos muito menos do que antes, mas nos encontramos em shows, festas, temos muitos amigos em comum e as oportunidades sempre estão surgindo.”

E continua ainda: "Não houve ‘racha’ no grupo. Houve um consentimento sobre a idéia de se envolver com outras atividades".

E finaliza: "Eu sinceramente imaginava que surgiria um boato mais fantástico, porque essa coisa do Marcelo ser ‘MPB’ e o Rodrigo ‘outras direções’ não é suficiente para sustentar qualquer teoria conspiratória, isso para quem quer acreditar que existe uma verdade oculta. O Marcelo e o Rodrigo têm interesses musicais que vão muito além dessa categorização, e essa sempre foi a característica mais marcante da banda. Seja o que for que se torne público do trabalho deles pós-hiato, o mínimo que se pode esperar é que sejam caminhos bem distintos, como sempre foi.”

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Furiosos e não-furiosos fãs dos Los Hermanos, uni-vos: a banda parece que volta mesmo.


Crédito imagem: abreessaporta.blogger.com.br

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6.11.2008

O (video) blog do Caetano

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Caetano Veloso lançou no início deste mês um blog - na verdade, um blog onde cada post é um vídeo em que ele próprio se filma.

O blog faz parte do atual projeto de Caetano, Obra em progresso, uma série de shows que ele fará por todo este 2008 no Rio de Janeiro como uma espécie de laboratório de composição para o seu próximo disco.

Nas palavras de Hermano Vianna - conhecido "antropólogo musical" do Brasil, também um dos criadores do site Overmundo - que apresenta o blog:

"Obra em Progresso, série de concertos realizados no Rio de Janeiro por Caetano Veloso durante todo o ano de 2008, é oportunidade inédita para o público acompanhar de perto o processo criativo de um dos maiores artistas brasileiros. Canções que acabaram de ser compostas são apresentadas no palco e aprimoradas em shows diferentes a cada semana. "

E nas palavras de Caetano:

"O ponto de partida foi desenvolver os tratamentos do ritmo de samba na guitarra elétrica, sugerido pelo modo como Pedro Sá cria “riffs” com sonoridades refinadas. As novas composições, em que comecei a trabalhar no verão em Salvador, serão concebidas tendo em vista esses experimentos rítmicos. Meu desejo é ir mostrando semanalmente o progresso desse trabalho. Não se trata, porém, de ensaios abertos. São shows.”

No vídeo abaixo, uma amostra de como funciona os posts do blog; neste, ele comenta uma das músicas recém-saída do forno do Obra em Progresso, "A Cor Amarela".


Crédito foto: Flickr Samuel Kobayashi
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6.10.2008

Se retira Paul McCartney?

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Não costumo colar uma notícia inteira aqui no blog, mas vou abrir uma exceção hoje porque é sobre o Paul McCartney e porque é em espanhol. E em espanhol é mais bonito de colar.


El ex Beatle haría una gira mundial de dos años y más de 100 shows para luego dedicarse a full a su familia.

El ex Beatle Paul McCartney, de 65 años, se despediría de su audiencia con una gira internacional de 100 conciertos, antes de "semi-retirarse" de los escenarios, según se informó hoy. El cantante decidió que realizará la gira musical durante dos años, antes de bajarse de los escenarios y dedicarle más tiempo a su familia. McCartney tocó recientemente en su Liverpool natal, para celebrar que la ciudad es la Capital Europea de la Cultura 2008.

"Paul dijo que esta gira será la última de esta magnitud. El quiere descansar y disfrutar de la infancia de su hija Beatrice", subrayó una fuente allegada. "La gira será la última vez que tocará en muchas partes del mundo. Beatrice y su vida familiar serán la prioridad, y no quiere pasar meses sin verla", agregó la misma fuente, precisando que el músico se presentaría en Europa, Estados Unidos, América del Sur, Australia y Asia.

Fonte

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6.09.2008

Miranda

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Vasculhando meu Google Reader em busca de pautas, qual não foi minha surpresa em encontrar, no blog do Matias, uma chamada para um TCC de um recém ex-aluno aqui do jornalismo da UFSC, onde faço mestrado.

(Cabe explicar que TCC, aqui na UFSC, pode ser uma monografia ou uma grande reportagem )

O Tiago Agostini, o ex-aluno supracitado, fez um perfil sobre o figuraça Carlos Eduardo Miranda, hoje mais conhecido por ser um dos jurados do Ídolos, mas que também é produtor (Raimundos, Skank, O Rappa, Mundo Livre S.A, Cansei de Ser Sexy), jornalista (trabalhou na Bizz do início da década de 1990), músico (tocou nas bandas Urubu Rei, Taranatiriça e Atahualpa y us Panquis, todas do RS, em meados da década de 1980), além de ser um dos criadores do site Trama Virtual e de ter sido diretor artístico da Gravadora Trama.

Ele disponibilizou para donwload a reportagem na íntegra. Vale a leitura, tanto pelo texto do Tiago quanto pelas histórias hilárias do seu perfilado.

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6.06.2008

Pérolas Videoclípticas (17) : Captain Beefheart

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Captain Beefheart , e sua This Magic Band, é um daqueles casos de bandas que andam na tênue linha entre o grotesco e o sublime - para ficar com categorais clássicas usadas em teorias de literatura - ou, em termos diferentes, entre o muito bom e a piração exagerada.

Surgiu com o excelente "Safe as Milk", em 1967, lançou sua obra-prima em 1969, Trout Mask Replica, e depois foi para o underground, de onde continuou produzindo discos até início da década de 1980, quando a banda termina de vez, e Don Van Vliet, o esquisofrênico líder e vocalista da banda , passa a viver como artista plástico, como até hoje o faz.

Este vídeo abaixo é "Electricity", do álbum de estréia, "Safe as Milk". Dá para ver bem por esta faixa o som da banda: um blues rock com pitadas experimentais e letras recheadas de imagens psicodélicas, algo que se aperfeiçoaria nos anos seguintes até Trout Mask Replica, o auge das experimentações artísticas da banda, e desceria ladeira abaixo nos anos 70.



Detalhe: O guitarrista à esquerda do vídeo é o excelente Ry Cooder, que faria alguns anos depois uma série de trilhas para o cinema, inclusive a do grande Paris, Texas, de Win Wenders.


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