2.02.2007

Reportagem (20): Vem aí a "new rave"

.




Estilo que mistura rock alternativo, música eletrônica e o clima das festas raves é a nova febre das pistas de dança do planeta


Que a cena musical britânica, a cada semana, apresenta uma banda que nem bem gravou disco como a nova “promessa” da música mundial já não é mais nenhuma novidade; casos recentes como Coldplay, Franz Ferdinand, Libertines e Artic Monkeys estão aí para lembrar.

Algumas destas bandas vingam e se tornam, realmente, sucesso mundial, como é o caso do Coldplay, que faz show neste mês no Brasil, e do Franz Ferdinand (aqui uma mostra do poderio do quarteto escocês, e aqui uma bela análise do primeiro dos dois álbuns da banda). Outras sucumbem ao preço do sucesso repentino e terminam sem tempo de mostrar que são mais do que um mero hype, caso do Libertines.

Pois bem. A nova modinha vindo da Inglaterra agora não é bem em torno de uma banda, mas de várias que, juntas, estão criando uma espécie de nova "cena" mundial que atende por um nome: "new rave".

Como o nome já entrega, a "new rave" mistura as guitarras do rock com o clima colorido, festivo, e chapado das festas raves. Nada que Prodigy, Chemical Brothers e outras bandas dos anos 90 já não tenham feito parecido, mas a principal diferença parece ficar no clima alternativo da coisa, seja no visual - o mais colorido e chamativo possível, com muito néon e cores berrantes nas roupas (como se percebe na foto que abriu esse post, de um show do Klaxons) – nos barulhos esquisitos nas músicas - sirenes, apitos, assovios – ou nas guitarras e melodias emprestadas do rock alternativo.

O Cenabeatnik apresenta logo abaixo alguma das bandas mais destacadas da chamada “new rave” que, inclusive, já ganhou a presença de dois brasileiros: o Cansei de Ser Sexy (CSS) e o Bonde do Rolê.

Ainda é cedo para dizer se a new rave pode vir a se tornar um “movimento” como foi o punk-rock nos final dos anos 70, o pós-punk e o gótico nos 80 ou mesmo o das primeiras festas raves no início dos anos 90. Porém, em tempos onde a complexidade e a sobreposição de estilos é a tônica da chamada “pós-modernidade”, a
new rave se apresenta como mais uma genuína tradução dos anos 2000, com a diferença de que o foco agora parece apontar para a frente, quase que exclusivamente para o futuro.

O que, diga-se, é uma baita diferença, já que os estilos que predominam nas paradas atuais são eminentemente retrôs - veja o rock, por exemplo, das mesmas bandas citadas no início desse post.

***********************

Klaxons



O trio inglês Klaxons (que hoje é quarteto) é o principal nome da new rave. Surgiu de mansinho, fazendo algumas festas nos arredores de Londres, e já com o primeiro single, lançado em março de 2006, chamou atenção da mídia inglesa. “Gravity’s Rainbow”, a primeira música da banda, é uma interessante mistura de rock alternativo, dance music e psicodelia, com pitadas até de punk.

Depois de mais alguns singles de sucesso lançados ano passado, eles assinaram com uma grande gravadora e preparam o seu primeiro álbum para início de fevereiro agora. Além do som, o Klaxons chama atenção também pelo visual, marcado pelas cores berrantes e os acessórios inspirados no mundo dos games dos anos 90, e o clima futurista das letras e sons, que vão contra a maré de ondas retrô que assolam a cena pop mundial.

Para escutar as músicas da banda é só acessar o espaço deles no My Space



Bono Must Die

O que pode se esperar de uma banda com o sugestivo nome de Bono Must Die? No mínimo, violência. E é mais ou menos esse o mote da banda, que representa o lado mais “dark” da new rave, com letras inspiradas em filmes de horror e uma sonoridade mais barulhenta, pesada, uma mistura de punk com a drum’bass.

Site: www.myspace.com/bonomustdie


Hadouken

Outra banda da cena que capricha no nome é a Hadouken, do interior da Inglaterra. Quem já jogou video game na vida sabe que o nome vem da famosa bola azul de energia soltada pelos personagens do Street Fighter, Ryu e Ken.
O diferencial da Hadouken é uma levada mais ligada ao rap, algo como uma mistura de dance-music, rock e rap.

Site: www.myspace.com/hadoukenuk



Cansei de ser Sexy



Hoje, o Cansei de Ser Sexy é a banda brasileira que mais faz shows no exterior. Desde final do ano passado, quando assinaram com a gravadora americana Sub-Pop, a mesma que descobriu o grunge na virada dos anos 80 para os 90, o sexteto (formado por cinco garotas e um cara) paulista está em turnê pelo mundo, primeiro Estados Unidos, agora Europa.
O clima festivo e fashion dos shows, a mistura inusitada de barulhos eletrônicos toscos com guitarras ainda mais toscas e as letras (em sua maioria em inglês) sarcásticas/engraçadinhas fizeram com que a mídia inglesa rapidamente os “enquadrasse” no rótulo da new rave, embora o som da banda seja bastante diferente do Klaxons, por exemplo.

Depois de um primeiro álbum elogiado (curiosidade: o disco é duplo; o primeiro contém as músicas e o segundo é virgem, para, segundo a banda, cada um que comprasse gravasse as músicas do primeiro no segundo e presenteassem para um amigo, algo que vai bem a calhar com o clima anárquico da banda), o CSS prepara álbum novo para lançamento em junho ou julho deste ano.

Site: www.myspace.com/canseidesersexy



Bonde do Rolê


O Bonde do Rolê é um trio curitibano que teve uma grande idéia não nova: pegar dois ritmos pra lá de divertidos - no caso, o funk carioca e o hard rock – e misturá-los. O resultado é surpreendentemente bom: riffs de bandas como AC/DC e The Darkness com o batidão e as letras bagaceiras típicas do funk carioca são um convite para até os mais alternativos rebolarem.
Por falar em letra bagaceira, uma pequena amostra do nível delas:

Melô do Vitiligo:
fui no botecao / pra tomar uma caipirinha/ espremeu limão errado/ manchou toda minha pelinha / as viada tudo loca/ já criaram confusao/ perguntaram é vitiligo/ eu disse é mancha de limao
vai vai vai vitiligo (4x)

parece vitiligo, mas é mancha de limao

Quer outra? Aí vai:

Melô do Robôróque
Cus amigu lá da frança conheci dafiti punk / Ouvi na cretinage sampriei i fiz um funk / Os gringo tudo safado já entraro nesse bonde / Om mó taime, arandeuôurdi, rárdi bédi, fésti shtrongue / Na melô do roboróque num dá pra ficá parado / As mina faiz ér guitá e os preibói fica bolado/ Capacete na cabessa, breiquidênce até o chão / Vai mexeno rebolano e olhando a luiz neom

Outras letras da banda podem ser vistas aqui.

Mas o que isso tem a ver com a new rave? Nem a banda sabe. Eles caíram dentro do rótulo por sair em turnê pelos Estados Unidos junto com o Cansei de Ser Sexy e, assim como estes, ganharem as pistas de dança das festas descoladas da Inglaterra. Preparam disco para a metade deste ano.

Site: www.myspace.com/bondedorole


-Jornal A Razão, 1 de Fevereiro de 2007 (com modificações)-




..





1.30.2007

Os melhores álbuns do século XX (4)

.

Nem Beatles, nem Beach Boys, mas ainda nos anos 60. O quarto melhor disco do século passado escolhido pela revista Rolling Stone americana é do maior artista da música popular americana:





Highway 61 Revisited é o sexto álbum de estúdio de Bob Dylan, gravado entre 15 de junho e 4 de maio de 1965, no estúdio da Colúmbia.
Dos 10 que encabeçam a lista da Rolling Stone, é o primeiro a ser lançado, seguido logo de perto do quinto lugar, "Rubber Soul, dos Beatles, que será detalhado na semana que vem.

Também conhecido por "Blues Higway", Higway 61 Revisited foi o primeiro disco de Dylan totalmente gravado junto de uma banda de rock, depois de experimentar o mesmo formato em algumas faixas do anterior, o também clássico Bringing It All Back Home, gravado no início do mesmo ano.

Para quem começava a construir uma carreira sólida na chamada "folk music", marcada pela tríade "voz-violão-gaita", a presença de uma banda de rock foi uma atitude pra lá de corajosa; esse vídeo, apresentado recentemente no magistral documentário sobre a vida de Dylan "No Direction Home", dirigido por Martin Scorsese, mostra a reação dúbia da platéia diante de um Dylan "eletrificado": ao final da música ("Like a Rolling Stone"), enquanto a maioria aplaude, os fãs mais puristas do folk vaiam o artista, decepcionados com a mudança de postura. Dá até para se escutar um grito de "Judas" saído de alguns mais exaltados.


O texto abaixo, reproduzido do site Mofo, traz um depoimento do produtor do disco, Bob Johnston, sobre o período de gravação o do álbum:


"Bob conseguiu desenvolver uma ótima atmosfera dentro do estúdio. Se ele achava que não estava em um bom dia, parávamos e continuávamos na tarde seguinte. Os músicos sempre o respeitaram, pois sabiam que Dylan era um dos melhores do mundo e Bob sempre utilizou isso a seu favor. E Dylan sempre foi uma pessoa que gosta de desafios. Ele não segue ninguém, ele é seguido. Quando ele faz algo, o mundo inteiro o copia. Seu método de trabalho é simples. Ele utiliza um mínimo de
overdubs e grava tudo rapidamente em poucos takes. Eu posso até passar uma semana mixando uma canção, mas a decisão final sempre será dele. Ele é um perfeccionista e não aceita uma versão boa, só a melhor. É uma das pessoas mais intensas que existe e realmente não acho que sou o 'produtor' de seus discos, mas sei que fiz o meu melhor quando ele fica com um sorriso nos lábios."


Faixas (clique em cada uma para ver a respectiva letra ou mais informações sobre a música)


Lado A

1) "Like a Rolling Stone" – 6:09
Talvez o maior clássico de Dylan, inúmeras vezes regravado e imitado. Ao contrário do que alguns imaginam, a letra não tem ligação nenhuma com o Rolling Stones (que a regravaram também), e sim com se sentir "como uma pedra rolando", uma metáfora usada por Dylan.

2) "Tombstone Blues" – 5:57
Uma letra estranha, que cita Jack O Estripador, João Batista, Paul Revere, Belle Starr, Jezebel, e, além de tudo, faz uma crítica à Guerra do Vietnã.

3) "It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry" – 4:05

4) "From a Buick 6" – 3:15
Fala de uma garota que cuida do "eu lírico" da letra.
"Bem, se eu cair morto/você sabe/é provável que ela coloque um lençol/na minha cama" diz a letra.

5) "Ballad of a Thin Man" – 5:55
Conta a história de Mr. Jones, um dos mais estranhos personagem criados por Dylan, provavelmente um dos mais peculiares de toda a música pop. Mr. Jones virou simplesmente um mito que nunca foi decifrado e sempre que perguntado sobre o personagem, Dylan dava uma resposta mais confusa que outra: "eu não posso dizer quem ele é ou ele me processará"; "são várias pessoas"; "alguém muito poderoso", etc..
O Mr. Jones da letra é um homem que se encontra sozinho em um quarto, nu, e que não reconhece a si mesmo.


Lado B

6) "Queen Jane Approximately" – 5:28

7) "Highway 61 Revisited" – 3:26
Fala da estrada que passa por Duluth, cidade natal do artista e que a liga ao resto do país. Através dela, faz uma metáfora da violência com textos bíblicos.

8) "Just Like Tom Thumb's Blues" – 5:28

9) "Desolation Row" – 11:21
Outra lestra bastante estranha de Dylan. Fala do Apocalipse, com inspirações no livro The Waste Land de T. S. Eliot e o poema Howl, do poeta beat Allen Ginsberg. "Eles estão vendendo cartões postais sobre o enforcamento/ Eles estão pintando os passaportes de marrom/ O salão de beleza está lotado de marinheiros/ O circo está na cidade/ Lá vem o comissário cego/ Eles o mantêm em um transe/ Uma mão amarrada/ Ao equilibrista que caminha pela corda bamba..."
São as primeiras linhas da canção que fecha um dos discos mais poderosos da história.

Duração aproximada do disco: 51:04


"A lot of great basic American culture came right up that highway and up that river," Robert Shelton told a BBC interviewer. "And as a teenager Dylan had travelled that way on radio. ... Highway 61 became, I think, to him a symbol of freedom, a symbol of movement, a symbol of independence and a chance to get away from a life he didn't want in Hibbing."


Clique aqui para baixar o álbum.
..





1.26.2007

Reportagem (19): Rock britânico Made in RS

.



Pública fez show concorrido em Santa Maria no último sábado, no Seattle Studio Bar.

“Romantismo melancólico deslavado e ótimas canções: Pública é the next big thing do rock gaúcho, quiçá brasileiro. Pode apostar.”

Rolling Stone Brasil, novembro de 2006.

É com toda essa bola, levantada por um crítico na seção de resenhas de discos da revista, que a Pública aportou em Santa Maria no último sábado. O abafado verão santa-mariense, como que antevendo que a noite teria um som que em nada combinaria com calor, decide dar uma trégua, deixando o clima surpreendentemente agradável, até frio – bom para os casacos leves e as camisas mais grossas, que ganham uma chance a mais de aparecer. Mas dentro do Seattle Bar não está frio, e as pessoas que vieram de casaco lamentam a escolha, porque o pouco espaço entre elas faz o suor escorrer pelas costas, encharcando a camiseta que está por baixo dos casacos. No espaço de baixo, o show da banda de abertura, a santa-mariense Sonnets, começa, e o suor agora ganha um ventinho que, aos poucos, o seca: é o som da banda movimentando o corpo e funcionando como um improvável ar-condicionado sonoro. Como muitas das pessoas presentes ainda estão no andar de cima, o espaço de baixo não está lotado, tendo lugar suficiente até para uma roda-punk, o que aqui não é o caso: do nome ao visual, passando logicamente pelo som, a Sonnets é britpop, um rock’roll calmo - mas nem por isso menos empolgante e até dançante - calcado em bandas britânicas como Oasis, The Verve e o pai de todos, os Beatles.




A santa-mariense Sonnets, que trouxe a Pública e abriu o show.


Nem bem meia hora depois do fim da Sonnets (que tocou sua primeira música composta em português), começa o show da Pública. Diego de Grandi, o vocalista/guitarrista da banda santa-mariense e, como reconhecem os próprios caras da Pública, o grande responsável pela vinda deles à Santa Maria, apresenta a banda que, sem muita demora, já sai tocando. O espaço lota, o suor aumenta, e dessa vez não há refresco: o som da Pública não é do tipo de fazer sair dançando, o que não é demérito nenhum. Pelo contrário, é uma música mais calma, de contemplação, de fazer quem escuta prestar atenção em como o teclado vintage (a cargo de João Amaro) casa bem com as duas guitarras (“Guri” Assis Brasil e Pedro Metz, também vocalista), de como o baterista (“Cachaça”) usa muito bem um toque “dançante” no instrumento, muitas vezes comandando as viradas das músicas. Pena que o vocal está baixo: em algumas faixas mal se escuta as letras reflexivas e por vezes melancólicas compostas por Pedro.

_ Toca Long Plays!!, gritam pessoas da platéia, repetidas vezes. Como não poderia deixar de ser, o pedido é atendido, e a música mais conhecida da banda empolga: “Já comprei todos Long Plays/dos artistas que você sempre gostou/mas mesmo assim eu ainda estou só!”, com o “só” ecoando por um tempo, como um mantra que parecia dizer o contrário: ligados pela música ou pelas lembranças que a letra romântica/nostálgica poderia trazer, ninguém ali realmente estava só.


O guitarrista Guri, o vocalista/guitarrista Pedro Metz e o tecladista João Amaro, (ao fundo) , da Pública, em momento contemplação de seus instrumento



Pouco mais de uma hora e três canções inéditas (que vão estar presentes no sucessor de “Polaris”, primeiro disco da banda) depois, a Pública encerra o show como começou, sem muita cerimônia. “Let it be”, dos Beatles, puxado pelo tecladista João Amaro, o baixista Guilherme Almeida e o anfitrião santa-mariense Diego tenta dá uma sobrevida ao show, mas não consegue. Acabou mesmo a passagem por Santa Maria da next big thing do rock gaúcho/brasileiro.


Contatos
Sonnets : Blog da banda ou My Space
Pública: Site Oficial ou My Space



-Jornal A Razão, 25 de janeiro de 2007-



P.S: Como vocês devem ter percebido, o Blogger evoluiu. Agora dá para alinhar o texto, mexer no tamanho das fotos, aumentar/diminuir o tamanho das letras, entre outros recursos crocantes que só vem a tornar o blog mais bonito e apresentável. E sabe quem é o responsável por isso? O Google. Sim, sempre ele, que agora comprou o site e, como de praxe, melhorou os serviços.

..

1.23.2007

Os melhores álbuns do século XX (3)

.

E o terceiro lugar da lista é novamente dos
Beatles: "Revolver".
Para não deixar dúvida de quem foi "a" banda do século XX.







Gravado e lançado em 1966, logo após daquele que é marcado como a grande "virada" da carreira da banda, Rubber Soul, "Revolver" é onde essa mudança ganha contornos claros e consistentes: seja no timbre mezzo "psicodélico" das guitarras de George e John, nas baladas piano, voz e arranjo orquestral límpido de Paul McCartney, ou, principalmente, nas letras maduras e mais complexas de John, a dita "evolução" está em cada uma das 14 músicas do álbum.

Aqui abaixo, o comentário sobre cada faixa, retirado do site www.getback.com.br, o melhor site brasileiro sobre a banda.


Lado A

TAXMAN ( Harrison )
Gravada em 21, 22 de Abril, 16 de Maio 1966
Pela primeira vez uma música de George abre um disco dos Beatles. Apesar de George estar entrando numa fase transcedental, a letra da música fala exclusivamente sobre impostos e taxas ( que na época levavam um bom pedaço do que os Beatles ganhavam ). George canta, e, ironicamente, apesar da música ser dele, é o baixo de Paul sua principal característica. Mais irônico também é o fato de Paul tocar a guitarra solo, e não George.

ELEANOR RIGBY ( Lennon/McCartney )
28, 29 de Abril, 06 de Junho 1966
Escrito quase na sua totalidade por Paul, é a 2ª música dos Beatles a contar apenas com um componente da banda ( Paul, que realizou a mesma proeza em 'Yesterday' ). A idéia veio de uma vitrine de loja, onde o nome 'Daisy Hawkins' veio na cabeça de Paul, e mais tarde se transformou 'Eleanor Rigby.' Anos mais tarde foi descoberto um verdadeiro túmulo com este nome na lápide. Coincidência ou não, é outro grande sucesso na voz de Paul, lançado no mesmo ano também em single. Paul canta e 8 músicos de estúdio tocam as cordas num dos melhores arranjos de George Martin.

I'M ONLY SLEEPING ( Lennon/McCartney )
27, 29 Abril, 05, 06 de Maio 1966
Uma das primeiras letras 'viajantes' de John, que a canta. A voz de John foi acelarada na gravação para ficar com um certo ar transcedental. Outro truque de gravação foi utilizado para o solo de guitarra. O instrumento foi gravado em cima da fita ao contrário, e quando esta foi colocada no sentido normal, foi a guitarra que ficou de trás para frente. Uma grande sacada numa época em que os estúdio tinham pouco a oferecer. O solo da versão dos discos americanos difere em alguns trechos.

LOVE YOU TO ( Harrison )
11, 13 de Abril 1966
George entra de cabeça na onda hindu. Quase uma translação de um texto budista, esta música conta apenas com George na cítara e um músico indiano convidado - Anil Bhagwat na tabla. O contato de George com a cultura oriental influenciaria mais tarde o encontro dos Beatles com o Maharishi e seu retiro espiritual na Índia. Muitos grupos usariam a cítara como um instrumento constante nesta época. George canta sua 2ª música no disco.

HERE, THERE AND EVERYWHERE ( Lennon/McCartney )
14, 16, 17 de Junho 1966
Uma das mais famosas baladas de Paul e que teve inúmeras regravações. Uma melodia simples num arranjo simples, mas ambos brilhantes. Paul canta com a voz dobrada e John e George dão o suporte no backing vocal.

YELLOW SUBMARINE ( Lennon/McCartney )
26 de Maio, 01 de Junho 1966
Talvez a mais famosa música do disco, e que deu chance ao vocal de Ringo sair da obscuridade. Não dá para imaginar outro Beatle cantando esta música a não ser Ringo. Composta por Paul e John, esta música teve diversos overdubs de estúdio, como bolhas, ondas, barulhos de submarino e uma orquestra de naipes ( um luxo de apenas alguns segundos ). Vários pessoas se juntaram aos Beatles no coro final, como George Martin, Mal Evans, Neil Aspinall, Geoff Emerick e Patty Harrison. Esta música serviria mais tarde para o que viria a ser o 4º filme dos Beatles... na verdade um desenho animado: 'Yellow Submarine'.

SHE SAID SHE SAID ( Lennon/McCartney )
21 de Junho 1966
Outra música lisérgica de John. baseada num comentário do ator Peter Fonda durante uma viagem de LSD ( "Eu sei como é estar morto" ). John canta, e é uma das primeiras experimentações dele em brincar com os compassos da música, saindo de 4/4 para 3/4. Mais tarde essa seria uma das características de John em músicas como 'All You Need is Love', 'I Want You' e 'Happiness is a Warm Gun'.

Lado B



GOOD DAY SUNSHINE ( Lennon/McCartney )
08, 09 de Junho 1966
Quem mora em Londres sabe com é bom cumprimentar o sol. Uma música otimista de Paul, que canta e toca piano.

AND YOUR BIRD CAN SING ( Lennon/McCartney )
26 de Abril 1966
Outra música misteriosa de John. Apesar de John ter confessado nunca ter gostado desta música, ela é brilhante. Muito se dá pelo solo em dobro da guitarra de George. John canta com Paul e George fazendo a 2ª voz.

FOR NO ONE ( Lennon/McCartney )
09, 16, 19 de Maio 1966
Além de Paul, apenas outro Beatle toca nessa balada - Ringo, na bateria. Paul por sua vez canta, toca baixo, piano e um cravo emprestado por George Martin. Alan Civil, um músico da filarmônica de Londres toca o 'French Horn'. Outra famosa música de Paul, com arranjo de George Martin.

DOCTOR ROBERT ( Lennon/McCartney )
17, 19 de Abril, 06 1966
Composta praticamente por John com uma certa ajuda de Paul, a música fala de um 'certo´Doutor que receitava certas pipulas' para 'certos clientes. Nesssa época de drogas, qualquer semelhança não tem nada de conicidência. John canta.

I WANT TO TELL YOU ( Harrison )
02, 03 de Junho 1966
O único disco dos Beatles a conter 3 composições de George Harrison ( com exceção do 'white album', que é duplo ). George canta e o piano é tocado por Paul. George possui um certo orgulho do acorde E, com nota em fá, praticamente inventado por ele e mais tarde copiado por John Lennon em ' I Want You-She´s So Heavy'

GOT TO GET YOU INTO MY LIFE ( Lennon/McCartney )
08 ,11 de Abril. 18 de Maio, 17 de Junho 1966
Mùsica de Paul inspirada nas músicas negras da gravadora 'Motown'. 5 músicos de estúdios tocam os sopros - Ian Hammer, Les Cordon, Eddie Thornton, Alan Branscombe e Peter Coe. Paul usaria esta música como abertura de seus shows com o 'Wings' em 1979. Paul canta.

TOMORROW NEVER KNOWS ( Lennon/McCartney )
06, 07, 22 de Abril 1966
A primeira música a ser gravada para o disco 'Revolver' é também a mais 'revolucionária'. Mais uma viagem psicodélica de John com letra inspirada no livro tibetano dos mortos. Naquela época Paul e John viviam a busca de sons novos, e numa brincadeira de picotar e colar aleatóriamente fitas de gravação, conseguiram todos os efeitos e barulhos que se ouvem durante toda a música. Perceba o clima de transe na bateria de Ringo, na tamboura e no único acorde em dó que foi a base de toda a música. A voz de John foi alterada em um speaker Leslie para dar o efeito de um monge falando do alto de uma montanha.... bom, pelo menos era o que John queria. O fechamento ideal que abriria o apetite para o disco que viria a seguir: 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band'.


O disco foi produzido pelo fiel escudeiro George Martin e lançado em 5 de Abril de 1966 no Reino Unido, três dias depois nos Estados Unidos e em 15 de Abril no mundo todo.


*Baixe Revolver aqui.*


..

1.19.2007

Reportagem (18): E o disco virou literatura

.





Coleção Mojo Books lança livros virtuais baseados em discos clássicos do rock’roll



Que a música, e um disco em especial, podem criar várias “imagens” em quem escuta não é novidade para ninguém; basta por um som alto, prestar atenção na letra, nas nuancias de cada instrumento, que as imagens correspondentes já são criadas em nossa cabeça. Agora, transformar essas imagens em palavras e, melhor ainda, em histórias de ficção, não é tarefa das mais fáceis – pela grande quantidade de imagens que se criam, torna-se até difícil organizá-las em formato de uma história coerente, com início, meio e fim. Pois foi partindo dessa idéia que o pessoal da revista virtual Speculum resolveu criar a coleção Mojo Books.


Lançado em dezembro do ano passado, o projeto funciona da seguinte forma: a cada mês, um autor convidado conta uma história de ficção baseada em um álbum clássico do rock’roll. Por vezes, as imagens ditam o ritmo, o ambiente e até parte dos personagens da narrativa; por outras, dão apenas o “tom” para que o autor crie a partir dali. O primeiro lançamento da coleção foi “Black Celebration” (foto), do Depeche Mode, contado por Danilo Corci, também editor da coleção. Como não poderia deixar de ser em se tratando de Depeche Mode, a história tem um tom bastante “soturno”, que, afinal, é a imagem mais “visível” quando se escuta alguma música da banda.


O segundo da coleção é “Technique”, do New Order.





Escrita por Ricardo Grasseti, a história passeia pos dúvidas existenciais e sexuais do protagonista Johnny, que não sabe se gosta de sua namorada ou se tem interesse por outros homens.
A coleção segue ainda com , “In It for the Money”, do Supergrass, por Delfin...






“#1 Record”, do Big Star, por Luiz Cesar Pimentel...





e o clássico “Revolver”, dos Beatles, contado por Jota Wagner.



Veja o primeiro parágrafo deste último:

"
Eu acordei na praia. Ao meu lado, uma menina, sete casas de surfista e montanhas muito altas. O dia estava ensolarado, mas escuro. Estava quente e fresco, e as montanhas eram escuras e muito altas. Fiquei feliz e bastante intrigado por estar numa praia tão linda ao lado de uma menina, sendo que eu não sabia que lugar tão sensacional era aquele. Ela me olhava com simpatia e amizade, meu coração bateu forte; ela era legal demais. Os surfistas estavam por ali, mas a praia nem tinha onda. O mar era calmo e escuro como o dia e como as montanhas e como tudo o mais. Tudo escuro. Deitado no colchão inflável perto das pedras, olhando as montanhas, eu tinha vontade de chorar de felicidade e angústia. Ah, a menina estava sentada na pedra.
— Que praia é esta?
Não me lembro da resposta. Ela respondeu, mas não me lembro. Ela também me falou em que lugar do mapa a gente estava. As casas de surfistas eram pequenas e de madeira, e giravam apoiadas sobre uma base de ferro.

"

O resto do livro pode ser lido aqui, seguir algumas instruções, e receber o link para o arquivo que contém o texto em formato PDF. Como são histórias pequenas – em média 30 páginas - leves, recheadas de referências pop, a leitura na frente da tela do computador não chega a cansar. Mas caso queira ler em outro lugar, o leitor pode imprimi-lo – o livro sairá no exato formato de uma caixinha de CD.

Os lançamentos para este ano prevêm ainda “Thriller”, do Michael Jackson, “Pet Sounds”, dos Beach Boys, “Doolitle”, dos Pixies, entre outros discos conhecidos.


- Jornal A Razão, 18 de janeiro de 2007 -


..

1.16.2007

Links novos

.


Fazendo monografia sobre blogs é isso.
De tanto estudar e ler a respeito, me dei conta de algo que já deveria ter parado pra pensar: a grande importância que os links tem para um blog. Como forma de me redimir, resolvi dar uma passada em blogs relacionados ao assunto música e Santa Maria (que são muitos), e coloquei alguns destes aqui do lado.
Em breve terão mais.

Eles estão divididos em três blocos: revistas e portais de música, blogs de jornalistas que escrevem sobre música e blogs de amigos e conhecidos, com temas variados.

Hoje vai uma breve explicação de cada um dos links do bloco Revistas e Portais:

Jornal A Razão : jornal de Santa Maria, o mais antigo da cidade (fundado em 1934). Desde meados do ano passado faço a página 3 do caderno Teen, que sai às quintas-feiras. Essa página é a base do conteúdo que coloco na quinta/sexta aqui no blog.

Dynamite : Revista de música com sede em São Paulo. Não é muito conhecida aqui pelo sul, mas faz um trabalho um pouco mais independente que as grandes revistas. O site traz notícias atualizadas sobre o mundo musical, com uma inclinação para o rock indie.

Bizz: A mais tradicional revista de música do país tem um site muito interessante, cheio de produtos audiovisuais e recursos de interatividade. Depois de uma parada, a revista voltou à atividade em meados no final de 2005.

Rock Press: Outra revista musical brasileira, essa mais "alternativa", com um site cheio de links e colunas para a música - preferencialmente o rock - praticado em todos as regiões do Brasil.

Rolling Stone: Como a versão brasileira da revista ainda não tem um site decente, esse é o link para o site da edição da matriz americana. Assim como na maioria das revistas musicais, o site é mais do que uma mera transposição do conteúdo da revista: é um portal, com informações atualizadas, vários recursos audiovisuais e de arquivo e muitas imagens. Em inglês.

NME: Tradicional revista semanal de música da Inglaterra. É a campeã de lançar bandas novas e criar hypes em cima destas. O site tem informações novíssimas, bom para quem quer ficar atualizado sobre o que acontece no mundo da música. Em inglês.

All Music: Bíblia do meio musical. Dá para encontrar de tudo e de todos artistas. Em inglês.

Scream & Yell: Portal brasileiro que trata de música, literatura, internet, cinema e outras áreas do jornalismo cultural. Textos excelentes, boas resenhas e dicas de várias bandas/filmes/blogs interessantes.

Whiplash: Site brasileiro que trata de vários estilos de música, com um pouco mais ênfase ao metal. Traz notícias atualizadas, curiosidades, resenhas, letras de músicas, dentre outors conteúdos.


..

1.14.2007

Os melhores álbuns do século XX (2)

.

Dando sequência a série começada na semana passada, desta vez o álbum é "Pet Sounds", dos Beach Boys, o segundo melhor do século XX, segundo a revista americana Rolling Stone.






Reza a lenda que Pet Sounds foi a resposta americana ao álbum "Revolver", dos Beatles, de 1966. Brian Wilson, o líder do grupo, ficou tão encantado com o disco dos ingleses que botou na cabeça que conseguiria fazer um disco melhor. Trancou-se no estúdio, deixando o resto da banda fazendo shows, e compôs praticamente sozinho "Pet Sounds". E por mais árdua que parecesse a tarefa inicial, ele conseguiu cumprí-la - realmente, "Pet Sounds" é considerado melhor que "Revolver", inclusive por essa lista da Rolling Stone, que colocou o álbum dos Beatles logo depois, em 3º. E ainda fez mais: o 1º lugar da lista,"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", foi claramente influenciado por Pet Sounds, com o próprio Paul McCartney assumindo a influência.
Mesmo que não houvesse uma rivalidade formal - como a mídia fez para os Beatles e os Rolling Stones, por exemplo - Beatles e os Beach Boys acabaram sendo um pouco responsáveis pelas melhores obras uns dos outros.


_ Quem quiser pode ver o texto da Rolling Stone original, publicado nessa edição especial com os melhores do século XX, clicando aqui.

_ Logo abaixo, vai o texto do jornalista Sérgio Barbo publicado na Bizz, na seção Discoteca Básica.


"

Era o começo dos anos 60 e os Estados Unidos viviam o seu apogeu. A California era o estado mais rico da nação, um dos melhores lugares do mundo para se viver, e os Beach Boys eram os reis da surf music. Apesar de mal saberem nadar - só o baterista Denis Wilson era surfista - nunca uma banda foi tão associada a um estilo musical como os Beach Boys. A despeito de nunca ter pisado numa prancha de surf, ninguem escrevia temas ensolarados sobre o mar da Costa Oeste, garotas e dragsters velozes melhor do que Brian Wilson.

Além dele e Dennis, compunham a formação original o irmão caçula dos Wilson, Carl (guitarra), o primo Mike Love (vocais) e o amigo Al Jardine (guitarra). Vendendo milhares de cópias e combatendo a invasão britânica nas paradas americanas, eles viraram até orgulho nacional.

Mas isso durou até 65. No ano seguinte a igenuidade da era dourada do rock'n'roll havia acabado. A guerra do Vietnã era iminente, a liberação sexual tornava-se realidade e o psicodelismo despertava. Quando Brian Wilson resolveu parar de falar do sol da Califórnia e começou a dissertar sobre angústias existenciais, os fãs e a crítica estranharam, mas a história do rock mudou para sempre. Rompendo com o rock'n'roll fácil dos primórdios e fortemente influenciado pelo álbum Rubber Soul, dos Beatles, o multi-instrumentista Brian criou um dos mais importantes discos de todos os tempos, "Pet Sounds". O trabalho influenciou diretamente outra obra-prima - "Sgt. Pepper's". Ambicioso e perfeccionista, o mentor dos Beach Boys queria fazer arte e não apenas pop songs, almejando produzir o melhor álbum já feito, buscando inspiração no coração, na alma e até em Deus - já que para ele a música era voz divina. Mesmo com os parcos recursos da época , o resultado foi uma obra requintada e barroca com intrincadas hamonias vocais, arranjos complexos e sutis e escalas inusitadas.

As gravações do disco incluíram efeitos inventivos com vozes, sons de animais, buzinas, trens e também percussão exótica - no caso, garrafas vazias de Coca-Cola e latas de sorvete. Além disso, "Pet Sounds" marcou pelo uso pioneiro do sintetizador em "I Just Wasn't Made For These Times". As transformações prosseguiam: as letras - com a colaboração do compositor Tony Asher - falavam sobre amor e esperança (em "Wouldn't It Be Nice"), misticismo ("God Only Knows", canção preferida de Paul McCartney) e a perda da inocência ("Caroline No"). Pets Sounds é um trabalho precursor e conceitual, mas acessível. Alternando dor e alegria, mescla melodias pop e emocionais com faixas orquestrais e - por que não dizer? - progressivas.

Atingido a ápice criativo, os Beach Boys ainda ameaçaram fazer mais um álbum capital - o abortado "Smile", que nunca foi terminado devido a problemas pessoais de Wilson. Daí para frente, o envolvimento com drogas ocasionou a decadência do grupo. Mas a lenda dos "Garotos Da Praia" já estava firmada. Que o digam Ramones, Jesus and Mary Chain, Pixies etc.




Dados técnicos:

Lançamento: 1966
Produção: Brian Wilson.
Faixas:

"Wouldn't It Be Nice"
"You Still Believe In Me"
"That's Not Me"
"Don't talk (Put Your Head On My Shoulder)"
"Lets Go Away For Awhile"
"Sloop John Be"
"God Only Knows"
"I Know There's An Answer"
"Here Today"
"I Just Wasn't Made For These Times"
"Pet Sounds"
"Caroline No"


O álbum dos "Sons de Estimação" de Brian Wilson atingiu o 10º lugar nas paradas. As sessões de gravação ainda incluíram "Good Vibrations" - que rendeu um compacto de ouro aos BB. A música acabou entrando em "Smiley, Smile" (67), que aproveitou faixas do lendário e inacabado "Smile*". A reeedição em CD de Pet Sounds acrescentou três faixas bônus: "Unreleased Backgrounds", "Hang On To Your Ego" e "Trombone Dixie".


* Um parêntese : o dito abortado "Smile" foi finalmente lançado no final do ano passado, como um álbum solo do Brian Wilson. E se não é tão bom quanto o "Pet Sounds", é quase.



Aqui vai o link para baixar Pet Sounds.


..

1.11.2007

Vestibular

.

Principalmente para quem não conhece Santa Maria, aí vai um texto que publiquei no jornal ontem sobre essa "mutação" que ocorre na cidade durante a semana do vestibular da UFSM (que é a primeira universidade federal do interior do país, daí muito do prestígio dela):

"
É tarefa difícil para alguém que esteja em Santa Maria nesta semana não querer ouvir falar do vestibular da UFSM. Pela manhã, nas ruas do centro ou próximas a algum local de prova, o movimento incessante é de estudantes com garrafinhas d’água e algum papel na mão voltando para suas casas depois de algumas horas realizando a prova. À tarde, são os aulões dos cursinhos pré-vestibulares que fazem os estudantes enfrentarem o calorão do meio da tarde em busca de dicas para a próxima prova. À noite, a aglomeração de pessoas é em torno dos bares e praças do centro da cidade (que a cada dia ganham mais desistentes precisando de um “consolo” etílico). Se a pessoa ainda não saiu de casa e viu alguns desses movimentos, basta ligar o rádio ou a TV nas emissoras locais, que, sem exceção, tratam do vestibular como a pauta principal da semana, inclusive fazendo coberturas extras e contratando novos repórteres.

Mas para os que não estão fazendo as provas da UFSM,e também para os que estão, há atrações especiais na cidade. Na praça Saldanha Marinho, a Prefeitura Municipal montou um palco que, desde terça-feira, está abrigando shows de diversas bandas de Santa Maria e região - sempre começando depois das 19h, quando o sol dá uma trégua. No campus da UFSM, grupos teatrais divertem os vestibulandos e os pais, amigos e namorados que os acompanham.

Hoje, terminadas as provas, há ainda as tradicionais festas de fim do vestibular, que aproveitando o grande movimento na cidade, trazem boas atrações para os palcos locais, caso deste ano de Nenhum de Nós e Ultramen. Veja abaixo algumas das atrações para hoje em Santa Maria:

Praça Saldanha Marinho
(a partir das 19h)

19h00 – Banda Estação Restrita
19h30 – Banda Polimorfia
20h00 – Banda Galaxi Blue
21h00 – Rastro de Sol

Festas

E Agora?
Palco principal: Banda Nenhum de Nós e DJ Fina (Ibiza).
Palco pagode: Dj Márcio Simon, bandas Conversas Fora e Na Blitz
Pista Eletrônica: Xande Poerschke, Seco Mânica, Márcio Miraihl, Taele e Fefo.
Local: Centro Desportivo Municipal, 23h.

Tá e Aí?
Show com a banda Ultramen.
Centro de Eventos da UFSM (campus).

Boate do DCE
A partir das 24h.
Vestibulandos com comprovante e Identidade não pagam. Universitários com carterinha de qualquer universidade também não pagam.


.

1.08.2007

Os melhores álbuns do século XX (1)

.

Dando continuidade ao post de 21 de Novembro sobre os melhores álbuns do século XX segundo a revista Rolling Stone americana, vou começar a disponibilizar para download, toda a semana, os discos que encabeçam a lista destes melhores.


O dessa semana é Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, o primeiro da lista.





Gravado pelos Beatles entre o final de 1966 e o início de 1967, Sgt Peppers é considerado o ápice da carreira da banda, uma inusitada (para dizer o mínimo) mistura de rock'roll, psicodelia, música clássica, experimentalismo e tudo o mais que os fab four magistralmente conseguiram juntar e transormar em música.
Aqui abaixo, o comentário sobre cada faixa, retirado do site www.getback.com.br.

Lado A


1 - SGT PEPPER´S LONELY HEARTS CLUB BAND ( Lennon/McCartney )
Gravada em 01,02 de Fevereiro, 03, 06 de Março 1967
Paul compôs a música e divide os vocais com John e George. Tomada como uma introdução de todo o disco, tem barulhos de platéia como se fosse uma apresentação ao vivo. A faixa foi gravada já com o intuito de junção com a próxima música, apresentada como sendo de um tal de 'Billy Shears'.

2 - WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS ( Lennon/McCartney )
29, 30 de Março 1967
Chamada originalmente de 'Bad Finger Boogie', esta música foi composta por John e Paul. Não é o tal 'Billy Shears' quem canta, mas o próprio Ringo, com uma pequena ajuda dos amigos. Com alguns significados secretos, a música foi tomada como alusão as drogas e fez grande sucesso na voz de Joe Cocker no festival de Woodstock. Paul toca piano.

3 - LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS ( Lennon/McCartney )
01, 02 de Março 1967
John tirou a idéia da música de um desenho de seu filho Julian, que mostrava uma amiguinha da escola chamada Lucy, no céu com diamantes ao lado. Mais tarde, foi dito que a música era uma alusão direta as drogas, tanto pela letra surreal como pelas inicias das palavras 'Lucy, Sky e Diamonds', que formariam LSD. Mesmo desmentida por John, essa história dá pano para a manga até hoje. John canta e Paul além da 2ª voz e baixo, toca um cravo modificado. Em 1974 Elton John faria sucesso com a regravação da música, com a participação do próprio John.

4 - GETTING BETTER ( Lennon/McCartney )
09, 10, 21, 23 de Março 1967
Baseada em um comentário de Jimmy Nicol, baterista que substituiu ringo brevemente numa excursão de 64, quando este ficou doente, Getting Better foi composta por Paul, com participação de John nos contracantos. Além dos intrumentos normais, Ringo toca bongôs, George uma tamboura ( intrumento indiano ) e Paul, piano, além de cantar.


5 - FIXING A HOLE ( Lennon/McCartney )
09, 21 de Fevereiro 1967
Música de Paul, que a canta. Pela primeira vez os Beatles gravaram uma música em outro estúdio em Londres, que não foi o Abbey Road. A base da música foi gravada em Regent Sound, pois Abbey Road no dia não tinha vaga, mesmo para os Beatles. Paul toca cravo.

6 - SHE´S LEAVING HOME ( Lennon/McCartney )
17, 20 de Março 1967
Paul escreveu a base da música, e John contribuiu com o contracanto. Baseada na história de uma menina que foge de casa, esta música não contou com nenhum Beatle na parte instrumental. Mike Leander regeu os violinos, os celos e a harpa. Apenas Paul e John cantam.

7 - BEING FOR THE BENEFIT OF MR KITE ( Lennon/McCartney )
17, 20 de Fevereiro, 28, 29, 31 de Março 1967
John Lennon praticamente tirou toda a letra da música em um cartaz, que comprou em Kent, enquanto filmava o clip de 'Strawberry Fields'. O cartaz falava sobre um antigo circo pertencente a um certo Mr. Kite. John Lennon confessou que compôs a música só para preencher sua cota de faixas em Sgt. Pepper. Os ruídos estranhos ouvidos no meio são obtidos por pedaços de fita de aúdio picotadas e coladas aleatóriamente.

Lado B


8 - WITHIN YOU WITHOUT YOU ( Harrison )
15, 22 de Março, 03, 04 de Abril 1967
George compôs esta música em um harmonium praticamente em cima do acorde Dó. Além de George, que canta, nenhum outro Beatle participou da gravação. George toca cítara e alguns músicos indianos tocam dilruba, tamboura e tabla. 3 celos e 8 violinos são incluídos sob a regência de George Martin. Sendo a única música de George no disco ( a outra gravada, 'Only a Northern Song', foi rejeitada ), Within You Without You termina com risadas. Muita gente achou que eram os outros Beatles rindo do orientalismo de George, mas o final foi idéia dele mesmo... para alegrar um pouco.

9 - WHEN I´M SIXTY-FOUR ( Lennon/McCartney )
06, 08, 20, 21 de Dezembro 1966
Composta boa parte durante os dias do Cavern, esta música de Paul foi feito como homenagem a seu pai. Foi a primeira música a ser gravada para o disco, no final de 1966, junto com 'Strawberry Fields' e 'Penny Lane'. Paul canta e toca piano. John toca a guitarra solo. Músicos de estúdio tocam os 3 clarinetes.

10 - LOVELY RITA ( Lennon/McCartney )
23, 24 de Fevereiro, 07, 21 de Março 1967
Outra música de Paul, desta vez em homenagem às guardas de trânsito. Paul canta e toca piano. O solo de Piano Honky Tonk é feito por George Martin. Os estranhos sons ouvidos são de um papel soprado sobre um pente.

11 - GOOD MORNING GOOD MORNING ( Lennon/McCartney )
08, 16 de Fevereiro, 13,28,29 de Março 1967
John tirou a idéia desta música de um comercial de sucrilhos, que viu na TV. John canta e Paul faz o solo de guitarra. Os trombones e saxes são dos membros do grupo Sound Incorporated. Vários sons de animais, como galinhas, gatos, leões, elefantes e até uma caçada a raposa são incluídos no final, das fitas da EMI.

12 - SGT. PEPPER´S LONELY HEARTS CLUB BAND - REPRISE ( Lennon/McCartney )
01 de Abril 1967
Pela 1ª vez os Beatles reprisam uma música. Esta versão é menor e mais pesada do que a primeira e serve como uma ligação para a música que viria a seguir. Paul canta com John e George.

13 - A DAY IN THE LIFE ( Lennon/McCartney )
21 de Abril 1967
Provavelmente o ponto alto do disco. John tirou a idéia da música de uma notícia de jornal sobre os buracos em Lancashire ( como todas as outras desse disco, John buscou inspiração em alguma coisa... desenho, poster, comercial - mas essa música pode-se tomar como base as viagens alucinógenas mesmo ). O trecho do meio é praticamente uma outra música, sugerida por Paul, que o canta. Além dos instrumentos dos Beatles, 40 músicos de estúdio fizeram a parte da orquestra, num crescente ensurdecedor. Um despertador disparado por Mal Evans pode ser ouvido, e no final da canção, após o toque final de piano a 8 mãos que ressoa por quase um minuto, há a famosa frequência aguda que só os cães conseguem ouvir
.


O disco foi produzido por George Martin e lançado em 1 de junho de 1967.


Clique aqui para baixar.
O álbum está compactado, no Winrar.


..

1.05.2007

Notas (9)

Por vezes parece piada, mas por outras parece algo tão estranho que se torna até normal, vindo de onde vêm.

Então,
Essa é a notícia, tirada do site do Terra e com algumas adaptações minhas.



Vaticano vai produzir uma "ópera-rock"

O Vaticano planeja patrocinar uma "ópera-rock" baseada no clássico poema de Dante Alighieri, A Divina Comédia, segundo informou o jornal britânico The Independent. De acordo com o jornal, a adaptação da obra do poeta italiano teria uma trilha sonora feita por um padre liberal, o monsenhor Marco Frisina. A trilha sonora alternaria estilos de acordo com o momento do poema, com rock sendo usado no Inferno, canto gregoriano no Purgatório e música clássica para o Paraíso.

Depois de estrear em Roma no segundo semestre de 2007, em uma apresentação patrocinada pelo Vaticano e pelas duas casas do Parlamento italiano, a montagem deve viajar por diversas capitais da Europa "para chamar a atenção do grande público para a importância da obra imortal", afirmou Riccardo Rossi, diretor geral da Nova Ars, que está produzindo a ópera.

A diretora Elisabetta Marchetti está recrutando um elenco de 20 atores e cantores, 30 bailarinos, 50 figurantes e uma orquestra de 100 músicos, que devem usar cerca de 250 figurinos na montagem que tem o nome de A Divina Comédia, a Ópera, O Homem que procura o Amor. Os ensaios começam ainda neste mês e os nomes dos atores que interpretarão os principais papéis, de Dante, Virgílio e Beatriz, devem ser revelados em breve. A única confirmação é de que o papel, de Dante deve ficar com um renomado ator e cantor italiano.

A Divina Comédia, poema do poeta italiano Dante Alighieri, foi escrito entre 1308 e 1321 e é considerado uma das mais importantes obras da literatura. Dividido em 100 cantos, conta a jornada de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso para poder dividir sua experiência com a humanidade. Em sua jornada, Dante é guiado por Virgílio no Inferno e Purgatório e pela sua amada Beatriz no Paraíso.



..

12.28.2006

Reportagem (17): Retrospectiva 2006

.

Shows nacionais, bandas boas (e algumas nem tanto) surgindo, outras sendo (re) apresentadas: assim foi uma parte desse 2006 em Santa Maria mostrado pelo Cenabeatnik
.



Última semana do ano, emissoras de televisão fazendo as suas retrospectivas, revistas semanais escolhendo os personagens que se destacaram nos últimos 12 meses, jornais diários selecionando aquilo que de mais importante aconteceu em 2006 para seus cadernos especiais e, por trás de tudo, cada pessoa fazendo (ou começando a fazer) um balanço do que de bom e ruim aconteceu neste sexto ano do século 21. Nada mais natural, então, que o blog também faça a sua retrospectiva. E dá gosto de fazê-la quando uma pequena olhada para trás já é suficiente para dizer que, sim, 2006 foi bom para o cenário musical santa-mariense.


Em primeiro lugar, um ponto que muito incomodava as bandas locais, o de que a cidade não tinha lugares decentes para se tocar, hoje procede só em parte, porque muitos bares e boates dos mais variados estilos passaram a funcionar em 2006 – e alguns com as portas bem abertas para as bandas de Santa Maria. Ainda assim, se a grande maioria destes ainda continua com métodos “esdrúxulos”, para dizer o mínimo, de seleção de bandas, pelo menos outros incentivam a produção local, organizando festas e shows de qualidade sem medo de ousar e criar novos públicos.

Em segundo lugar, muitas bandas novas – e de qualidade – surgiram nos palcos santa-marienses. Com o acesso à música cada vez mais facilitado pela internet, não é mais preciso procurar tanto para se achar pessoas com “afinidades musicais”, o que torna a união destes em prol de um objetivo comum mais fácil.

Com estes dois pontos citados acima é que se cria uma “cena” musical em qualquer parte do mundo. Bares sem medo de abrir para bandas novas incentivam músicos que acabam por identificar um público mais receptivo para as suas composições, e assim está feito o espaço para a criatividade trabalhar. Não se tem como saber se a qualidade musical virá também junto dessa criatividade, mas uma coisa é certa: quanto maior a quantidade de bandas surgindo, mais provável é que algumas delas sejam realmente boas.(...)

______

1. Shows nacionais, festas originais





Pode até parecer exagero, ou então um exercício frustrado de futurologia, mas daqui a alguns anos muita gente vai passar pela rua Floriano Peixoto, nas quadras entre a rua Astrogildo de Azevedo e a avenida Presidente Vargas, e vai lembrar de 2006. O local certamente foi um dos mais movimentados na noite da cidade, e grande parte desse movimento se deve ao Macondo Bar. Visto por muita gente como um lugar “alternativo” demais, o bar se consolidou neste ano trazendo bandas conhecidas do cenário independente nacional como Autoramas (na foto acima, o vocalista Gabriel Thomaz), Walverdes, Pata de Elefante, Superguidis, Zefirina Bomba, Júpiter Maçã, dentre outros, e organizando festas para os mais variados gostos, desde para os saudosos pelos sons oitentistas aos apreciadores do fetichismo. Formou um público que se acostumou a escutar o novo e não estranhar, e de quebra se tornou também o principal palco para novas bandas santa-marienses.

Na metade deste mês, o Macondo se mudou; foi para um sobrado maior (foto ao lado) na rua Serafin Valandro, na quadra entre a Venâncio Aires e a Andradas, perto duma conhecida escola de idiomas. A previsão é que ainda no final deste ano bar já comece a funcionar.

Fica a pergunta: será que em 2007 será lembrado como o ano dessa quadra da Valandro?

Esse é novo futuro Macondo, na Valandro

_____




2. Bandas novas e a volta de velhas conhecidas




O ano de 2006 foi de surgimento de muitas bandas em Santa Maria, e algumas delas estiveram por aqui. A Crema (foto acima) apareceu lá no início do blog, no segundo post (2 de julho), como uma das promessas locais, e no decorrer dos meses acabou se confirmando como umas das boas bandas de rock’roll da cidade. Diversos shows no Macondo Bar, a maioria com boa presença do público, deram o gás necessário para o lançamento do primeiro single, “Você sabe sim”, em novembro, consolidando a banda como um “elo perdido” entre o lado b santa-mariense, mais alternativo e “diferente”, e o lado a, radiofônico, pop (ou rock) sem vergonha de o ser.
Outras bandas novas que estiveram por estas páginas neste ano foram a Consuelo, com sua inusitada mistura de rock, funk e música latina, a Sálvia, talvez a única banda local de reggae, e as vencedoras do maior festival de bandas do interior do estado, o Universo Pop: Polimorfia e Agente Six.





Mas nem só de coisa nova se fez a cena musical da cidade; algumas velhas conhecidas do público local voltaram à ativa com modificações. A Lactuca Sativa (na foto acima, três dos cinco integrantes da banda), depois de uma breve parada decorrente da saída do vocalista, voltou a tocar em Santa Maria com nova formação, divulgando o segundo disco e lembrando alguns velhos hits da banda, como “Dedo Duro” e “Gasolina”, que deixaram sua marca em boa parte da geração que hoje tem entre 18 e 20 e poucos anos.

A Sapato Vermelho, que ganhou bastante reconhecimento com a participação de sua primeira vocalista, Shirle de Moraes, no programa da TV Globo “Fama”, voltou aos palcos com uma nova vocalista, Franciele.

A T.S.F continuou perpetuando a barulheira, mas agora Brasil afora, com duas tours para além do estado e uma indicação para melhor álbum de hardcore nacional no prêmio da Revista Dynamite, além de ter lançado um DVD sobre o giro que fizeram pelo RS junto dos alemães da 54 Suicides.

Outras que fizeram 2006 o ano de volta à ativa foi a Inseto Social e a Doce Veneno, dos conhecidos Sininho e Guilherme Barros, que fez um belo show na boate Confraria na metade deste ano. Vale contar ainda o espetáculo de som e luzes que foi a apresentação da Nocet lançando seu segundo disco, “Bullets”, no Hotel Itaimbé, e a união das bandas de metal da cidade para a organização das duas edições da Hammer Fest realizadas neste ano.

- Jornal A Razão, 28 de Dezembro-

..

12.22.2006

Review (6): O "novo" disco dos Beatles

.




Recém lançado, “Love” é uma colagem de várias músicas dos fab four para um espetáculo milionário do Cirque du Soleil


Trinta e seis anos depois do fim dos Beatles , um novo disco da banda mais importante do século XX é lançado. Logo vem a pergunta: é mais um caça-níquel ou um disco de “raridades” que nunca havia sendo lançado? A resposta correta seria nenhuma das duas. Love, que acaba de ser lançado pela EMI no país, é um trabalho artesanal de colagem de trechos de mais de 130 músicas do grupo britânico feito sob encomenda pelo produtor máximo do grupo, George Martin, em parceria com o seu filho Giles, para um espetáculo do badalado Cirque du Soleil (aqui é a página oficial do espetáculo)


Os beatlemaníacos podem até virar a cara, mas os Martin fizeram um bom trabalho. Não profanaram a obra do grupo colocando elementos eletrônicos, como poderia acontecer; simplesmente misturaram trechos de diversas músicas - em sua maioria da fase mais criativa do grupo, de Revolver (1966) ao Abbey Road (1969) – e fizeram releituras que não descaracterizam as canções e sim as dão outra roupagem, juntando riffs de uma música com solos de outras de maneira tão incrível que dá até para se perguntar “mas a música original não era assim também?”. Não, não era, mas coisas como “Get Back” com o riff de “A Hard Day’s Night” parece que nasceram desta forma, juntas, tal é a maneira quase perfeita com que se encaixam. Outro exemplo: as duas faixas (talvez) mais psicodélicas da carreira dos Beatles, “Tomorrow Never Knows” e “Within You Without You” casam perfeitamente a cítara indiana da última com a batida quase eletrônica da primeira, formando um caldeirão sonoro incrivelmente coeso e poderoso.


A única gravação nova no CD é um arranjo de cordas composto por George Martin, hoje com 80 anos, para um take alternativo de “While my guitar gently weeps”, uma das poucas músicas da banda composta por George Harrison. No entanto, tudo o que se ouve nas 26 faixas soa de alguma forma novo, não como uma mera recompilação, e parte dessa sensação se dá pela turbinada que os Martin deram no som, já que a grande maioria dos discos originais dos Beatles nunca foram remasterizados e ainda tinham um som que deve bastante às gravações de hoje.



-Jornal A Razão, 21 de Dezembro de 2006-


***********
Aqui vai o link para quem quiser baixar o álbum, que tem quase 80 MB, mas vale cada espacinho que ele for ocupar no seu HD.





..

12.19.2006

Notas (8)

.


Ipod bagacero




O site promocional do Ipod, tocador de MP3 que é um dos “símbolos” do mundo moderno, divulgou recentemente um novo produto pra lá de inusitado: trata-se de um vibrador que funciona de acordo com o ritmo e a intensidade do som. O aparelho da Suki, chamado de OhMiBod, pretende “aprofundar” a experiência musical, combinando as sensações de escutar e sentir a música, literalmente.

Apesar de seguir a mesma linha de design do IPod, o OhMiBod é compatível com outros players. Além disso, o aparelho pode ser programado para funcionar de modo tradicional, sem a necessidade de música simultânea. A grosso modo, quando conectado no tocador, as vibrações oscilam em intensidade de acordo com dois fatores: volume e o gênero musical. Assim, é possível controlar os níveis de potência do vibrador apenas diminuindo o volume ou trocando de música.
Os usuários do produto já podem até desfrutar de uma comunidade virtual dedicada a troca de experiências, sugestões e discussões sobre quais são as playlists mais sexy do momento, o ClubVibe. O site oferece também compilações de DJs feitas especialmente para quem deseja tirar o maior proveito possível do OhMiBod.

O aparelho que une tecnologia, prazer e design, pode ser encontrado por U$ 69 nos EUA, ou encomendado no site do produto . No Brasil, ainda não há previsão de lançamento.


..

12.15.2006

Reportagem (16) : O novo Macondo

.





Última atividade do bar na rua Floriano Peixoto é hoje. Novo bar pretende reabrir no fim deste mês.


Depois de cerca de 20 meses de atividade, o Macondo Lugar, nome oficial da hoje conhecida “casa verde da Floriano”, vai trocar de lugar. A partir do final de dezembro, o bar vai funcionar na rua Serafin Valandro, entre a Venâncio Aires e Andradas (veja fotos).

Num espaço maior, o novo Macondo terá novidades: no primeiro andar, funcionará um bar nos moldes tradicionais que abrirá às 19h, com mesas e som ambiente. No segundo piso, interligado com o 1º, ficará o espaço para show, que vai abrir por volta das 23h. No subsolo, um conjunto de bandas associadas ao bar vai administrar um pequeno estúdio para ensaios, e o selo de roupas Rock Horrível, que em alguns shows já montava sua banquinha no local da Floriano, agora vai ganhar um lugar fixo, aberto do início da tarde até por volta das 21h.





A justificativa da mudança é contada por Jeff, um dos sócios do local:
_ Quando assinamos o contrato já sabíamos que teria de deixar o atual endereço em cerca de 20 meses. Como a gente não gosta de ficar parado, partimos para um outro lugar - diz.
O prédio atual será devolvido aos donos e, possivelmente, demolido. Desde já fica a lembrança de um lugar que, praticamente sozinho, criou uma "cena" alternativa na cidade, seja com shows de bandas interessantes do país ou mesmo festas com temáticas bastante diferente do que Santa Maria estava acostumada a sediar. O mérito do pessoal do bar também vai no sentido de não ter preconceito com festas/pessoas que praticamente toda uma sociedade "tradicional" ignora e, na tentativa de escondê-la como faz com seus ditos problemas, os trata como párias. A expectativa é de que, o bar continuando com a mesma proposta mas funcionando noutro local, Santa Maria até se acostume com esses párias e, aos poucos, vá perdendo o preconceito em categorizar em mais e melhor aqueles semelhantes da "classe" ou "grupo" a que cada um pertence.






Macondo Circus 2 - A segunda edição do Circus acontece neste final de semana no balneário Parque Serrano, em Itaara. Evento síntese das festividades do ano do Macondo, nesta edição o festival contará com shows de 12 bandas locais e uma nacional, o Bad Cock, do paulistano Hansen, ex-integrante da banda santista Harry. Além disso, haverá uma tenda com o melhor das festas mais tradicionais do bar, como a Fetish Fest, Clube da Criança Junkie (música dos anos 80 e início dos 90), Bela Lugosi is Dead (metal, gotic-rock) e Galo preto (música brasileira), dentre outras. O início do evento está marcado para o sábado à tarde e as linhas Jardim da Serra e Lourenci mantêm ônibus para o balneário até as 23 horas de sábado. O balneário fica a 300m da faixa e tem amplo espaço para estacionamento e camping.

Confira a relação das bandas santa-marienses que vão tocar no evento: TSF, Red House, Palo, Jokers, Tranze, Sapato Vermelho, Crema, Scarpast, Exumados, Sálvia, Voodoo e Daniel Rosa.

-Jornal A Razão, 14 de Dezembro de 2006-

..

12.13.2006

Notas (7): Acústicos mundo afora

.





Dois acústicos foram gravados pela MTV na semana passada, um no Brasil e outro nos Estados Unidos. O sempre rebelde Lobão, ex integrante das bandas Blitz e Vímana, gravou o seu em duas noites no Estúdio Quanta, em São Paulo.
Crítico ferrenho da estratégia das grandes gravadores e também da própria MTV, o cantor justificou a sua “traição” dizendo que o disco também é uma forma de mostrar o alcance do jabá no país:
_ Agora que eu gravei um acústico MTV quero ver se minhas músicas vão tocar nas rádios, se vai rolar uma grana da gravadora para elas tocarem - disse ele.

Com cenário dadaísta assinado por Zé Carratu, em que molduras de quadros de todos os tamanhos se harmonizam, Lobão desfilou versões unplugged de alguns de seus sucessos como "Decadance Avec Elegance", "Me Chama", "Rádio Blá" e "Corações Psicodélicos". Outros hits, como "Vida Bandida" e "Cena de Cinema", não entraram no programa. A fase independente de sua carreira teve espaço considerável, indo desde "El Desdichado" e "A Vida É Doce" até "Você e a Noite Escura", de seu último disco. O show contou ainda com uma canção composta com Lulu Santos nos tempos de Vímana, "O Mistério", e a participação de Beto Bruno, Marcelo Gross e Pedro Pelotas da Cachorro Grande em "A Gente Vai Se Amar".
(Coisa boa deve ter saído desse acústico).



***
Já nos Estados Unidos, uma dos últimas sobreviventes do falido new-metal, a banda Korn, deixou as guitarras de lado para gravar o novo Unplugged MTV no último sábado dia 9 de Dezembro, em Nova York. O show teve direção musical de Alex Coletti e os convidados Chester Bennington, do Linkin Park, Amy Lee, do Evanescence, e membros do The Cure. A previsão de lançamento do trabalho é 20 de fevereiro do ano que vem (se fosse adiado por mais um tempo, não faria falta... aliás, se nem saísse o disco, e o Korn resolvesse acabar de vez, como a tempo vem definhando junto com o new-metal, seria melhor ainda).


..

12.09.2006

Reportagem (15): O som dos Six

.




Em nove meses de atividade, a banda Agente Six já ganhou três prêmios em festivais por Santa Maria e região.



Do nome ao número de integrantes, passando pelo dia em que foi formada à hora que tocaram no Universo Pop, o número 6 acompanha a banda Agente Six. Mais do que acompanhar, o 6 talvez venha dando sorte: com apenas nove meses de atividade, a banda já ganhou três prêmios: 1º no Universo Pop (categoria Música nas Escolas), 3º no Festbanda de São Pedro Do Sul e, mais recentemente, 2º lugar num festival de bandas do Colégio Manoel Ribas – nessa última, perderam para um grupo de música nativista. Os prêmios, além de incentivar o trabalho da banda, mostram que eles são mais do que um representante do som “emo” na cidade, pecha que, através de uma reportagem sobre o estilo na cidade, acabaram ganhando:

_ Eu e o meu companheiro de banda, o Luismar (vocalista), somos emos, gostamos do estilo musical e nos identificamos, mas o resto da banda não, cada integrante tem o seu estilo, e o nosso som é uma mistura das influências de cada um - diz Rafael, 20 anos, o outro vocalista da banda. Uma audição da música com que ganharam o Universo Pop, “Destrua”, prova exatamente isso: a letra e os vocais, revezados entre Luismar e Rafael, tendem ao estilo emocore, mas a parte instrumental é variada, com uma pegada mais ligada ao rock’roll tradicional do que propriamente ao hardcore. Inclusive há um solo de guitarra, algo bastante raro de ser encontrado em músicas de bandas do estilo.
_ Fica a critério de cada um botar um rótulo na gente; se quiserem dizer que é emo, que é pop-rock, punk, que seja - completa o vocalista Luismar, 19 anos, estudante de Psicologia da UFSM.


Algo que chama atenção na Agente Six é a formação; além de ter dois vocalistas principais, algo incomum em bandas da cidade, há também uma menina no baixo, Bruna, 19 anos, estudante de Biologia na UFSM.
_ O pessoal costuma achar que ela é que canta, como normalmente acontece - brinca Luismar.
Completam a formação ainda os guitarristas Carson, estudante de Química Industrial da UFSM, e Matheus, que faz Engenharia Mecânica na mesma instituição, os dois com 20 anos, e o baterista Fernando, 19, estudante de Ciências da Computação da UFSM. Este último é o representante da veia “metal” da banda, inclusive usando pedal duplo (algo comum nos bateristas de heavy metal) em algumas músicas da banda.


O guitarrista Matheus e a baixista Bruna com o prêmio do Universo Pop



Além das seis músicas próprias que eles já tem gravado, o repertório da Agente Six conta com canções de grupos como CPM22, Raimundos, Green Day, Offspring e até mesmo Raul Seixas e Paralamas do Sucesso.
_ No último show que fizemos, no festival do colégio Maneco, resolvemos de última hora fazer um medley de “La Bamba” e “Twist and Shout” e ficou bem legal também - diz Rafael.
Com os prêmios conquistados recentemente, a banda espera tocar mais na cidade.
_ Foi uma surpresa a gente ter ganho o Universo Pop já da primeira vez em que participamos, com tanta banda boa concorrendo. O prêmio no festival do Maneco já nos rendeu um outro show, e assim, aos poucos, nós vamos indo - finaliza Luismar.


Contatos:
3221 4688/ 9119 6776 com Luismar

Site (dá para escutar algumas músicas da banda);
Fotolog




- Jornal A Razão, 7 de dezembro de 2006 -


Foto: Osvaldo Melo


..

12.04.2006

Notas (6): Nocet lança disco novo

.






Formada no já longínquo ano de 1989, a Nocet é a única banda da "velha guarda" do rock santa-mariense que está em atividade; mas não naquela "atividade" de fazer shows enquanto o pessoal não arruma outra atividade mais lucrativa, ou então como hobby - ou vício - de tocar as velhas músicas sempre: eles estão na atividade mesmo, compondo novas músicas, tocando quase toda a semana em locais de Santa Maria e região.


Tanto é que, nesta quarta-feira 6 de Dezembro, eles lançam o seu segundo CD, Bullets, em mega-show no salão de eventos do Itaimbé Palace Hotel, local em que a platéia, sentada, vai poder ver ainda melhor o espetáculo de luzes que eles planejam fazer. Os ingressos estão a venda por vários locais de Santa Maria, e mesmo com o calor infernal que faz na cidade por esta época (imagina o que virá em janeiro...), a expectativa é de lotação esgotada, afinal, como o início desse texto disse, a Nocet é a única banda da "velha guarda" do rock santa-mariense em atividade.




A atual formação da banda (na foto acima, da esquerda para a direita) inclui Marcus Molina (baixo e voz) e Fabrício Soriano (bateria), da formação original, e mais Benhur Borges (guitarra).


***
Mas quem quer lembrar de como era a Nocet das antigas - com o irmão de Marcus, Renato Molina, nos vocais e Gustavo Assis Brasil , hoje professor de jazz nos EUA, na guitarra - pode ver essa pérola em forma de videoclipe da música "It will pass by me".
Atenção especial no visual da banda, bem de acordo com a época (o clipe é de 1992) hard-roqueira que Santa Maria vivia.

No site da banda dá para escutar as músicas do disco novo, e também algumas das antigas.


******


Fotos: Daniel Petry, vulgo Fokks. (do site da banda)


..

12.01.2006

Reportagem (14) : No estúdio com a vencedora

.




Com apenas 3 meses de atividade, banda Polimorfia foi a ganhadora do Universo Pop deste ano na categoria Livre



Realizado no último fim de semana, no ginásio do Clube Dores, o festival Universo Pop reuniu cerca de 74 bandas, que disputaram os prêmios em duas categorias: Livre e Música nas Escolas, além de premiações individuais. A banda vencedora na categoria livre foi a Polimorfia, formada por quatro ex-integrantes da banda Rua XV e pelo vocalista Marcopolo Maia, que também levou o prêmio de melhor interprete do evento.


1) Ambientação

É numa terça-feira à tarde algo nublada que os cinco integrantes da Polimorfia recebem o CenaBeatnik para a entrevista. O local é o próprio estúdio da banda, que eles mantêm na casa do baterista Maurício Hoffmann, no bairro Duque de Caxias, perto da matriz do supermercado Dois Irmãos. Passado um pouco da hora marcada, o anfitrião Maurício vem à frente de casa, dá um chega para lá no seu cachorro (pequeno, mas valente como todos os pequenos) e conduz o repórter rapidamente ao estúdio no fim do pátio, onde a banda já espera sentada tranquilamente. Todos se levantam, se apresentam e, nem questionados, já começam a falar. Puxados pelo baterista, e aditivados pela ansiedade que toda entrevista parece causar, falam bastante; sobre a banda em que quatro dos cinco integrantes tocavam (a Rua XV), sobre os gostos musicais de cada um (o hard-rock predomina, mas o metal, a música clássica e o jazz estão presentes também).
Cinco pessoas falando quase ao mesmo tempo torna difícil a compreensão total do assunto, principalmente quando o interlocutor está no meio e tenta olhar para todos os lados, na tentativa de enxergar quem fala o quê. Mas o início costuma ser assim, a banda tentando causar uma boa primeira impressão e o repórter ainda entrando no contexto da situação.

2) Contexto sendo explorado

Poucos minutos depois, já se identifica os integrantes da banda. Sentados em meia lua, com o repórter no meio, estão, da esquerda para a direita: o já citado Maurício, 18 anos, o guitarrista Rafael Reis, 19, o vocalista Marcopolo Maia, 22, o baixista Adelar Martins, 19, e o também guitarrista Guilherme Marin, 20. Pergunta-se sobre o Universo Pop; Maurício responde prontamente:
_ Foi legal, tinha bastante banda de qualidade, o palco era bem grande, dos que a gente não vê pela cidade.
Marcopolo complementa:
_ Eram 10 minutos só, a gente teve que mostrar uma boa organização para ajustar os instrumentos e já começar a tocar. Mas a reação do pessoal foi boa; quando começamos a primeira, “Cochise”, do Audioslave, as pessoas vieram para a frente do palco, agitaram. Depois ainda tocamos a nossa, “Seja você".
Essa última, que já toca em uma rádio local, é a primeira de mais três músicas prontas que a Polimorfia têm, fora as que estão em fase de composição:
_ Esses dias estávamos trabalhando numa que o Rafael trouxe. Vamos ver se até o fim deste ano ou o início do ano que vem temos músicas suficiente para gravar um CD”, diz Maurício.





3) Perguntas inevitáveis

Numa entrevista com bandas ainda desconhecidas do grande público, certos questionamentos são inevitáveis; por mais batidas que sejam, são perguntas que devem ser feitas, de alguma maneira, em algum período. A primeira: Por que do nome Polimorfia? Novamente Maurício é quem esclarece:
_ Bom, poli significa várias, morfia é forma. Várias formas seria a tradução. É mais por causa das nossas influências, que são diversas, mas tende ao mesmo ponto em comum, que é o hard-rock de bandas como Van Halen, TNT, Audioslave e das santa-marienses Fuga, Doce Veneno, Feeling.
A segunda pergunta, que seria sobre as influências da banda, acaba de ser respondida. Passamos a uma terceira, que no contexto se torna inevitável: Quatro de vocês tocavam na Rua XV, por que não resolveram continuar com o mesmo nome?
_ Queríamos diferenciar o som, ser mais rock, e para isso tínhamos que trocar de nome, começar quase do zero mesmo. Antes não podíamos evoluir juntos, coisa que agora fazemos porque todos estão no mesmo nível musical, diz Maurício.


4) Audição e uma inquietação

Após a conversa, é hora da audição. A banda põe para tocar três músicas: “Seja você”, e duas covers (“Cochise” e “É Proibido Fumar”). Esta última, em versão quase heavy-metal – usar a referência altamente técnica do metal nas versões e músicas próprias é algo comum para a banda - surpreende pela excelente qualidade e pela criatividade, o que não é muito comum quando se fala em cover.
Mas quando do aparelho sai a música “Seja você”, surge um pouco de desapontamento: apesar de ser um hard-rock bem feito, com a parte instrumental muito bem tocada, os clichês de uma “música para tocar em rádio” estão todos ali, límpidos, para quem quiser ver: o solo da introdução, o refrão pegajoso, a letra com pitadas de auto-ajuda, a fórmula previsível do andamento da canção, etc.
Como a banda diz, “Seja você” é a provável carro-chefe do primeiro Cd – o que leva a uma constatação: o problema não é das bandas que repetem a mesma fórmula, mas sim das rádios que exigem essa fórmula já gasta para que as músicas toquem em sua programação.


-Jornal A Razão, 30 de Novembro de 2006-
Fotos: Paulo Pires


*******

Veja os outros vencedores do Universo Pop:

Categoria livre
1º ) Polimorfia (Santa Maria)
2º ) Advertência (São Sepé)
3º ) Nitra (Santa Maria)

Categoria música nas escolas
1º) Agente Six (Santa Maria)
2º) Púrpura (Santa Maria)
3º) Lancaster (Santa Maria)

Melhor Interprete – Marcopolo Maia – Polimorfia (Santa Maria)
Melhor Composição – Estrela da Manhã - Rastros de Sol (Santa Maria)
Música mais popular – Anestesia (Palmeiras das Missões)
Melhor Instrumentista – Trio de metais da banda Advertência (São Sepé)



..