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7.27.2007

Santa Maria psicodélica

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Um pouco difícil fugir do clichê "psicodélico" quando se trata de Mutantes. Mais difícil quando se junta o Secos & Molhados no mesmo pacote. E pior ainda quando se envolve uma banda que tenha o "clichê" no nome.
Se é assim, vamos ao clichê:


Cartaz do show

"Santa Maria vai ter hoje uma verdadeira 'Noite Psicodélica' no Macondo. As bandas João Clichê e Galaxie Blue apresentam um show tributo a duas bandas fundamentais do rock nacional: Secos e & Molhados e Mutantes.

A Galaxie abre os trabalhos fazendo um puta som em homenagem a histórica banda liderada pelo inigualável performer Ney Matogrosso, trazendo vários hits como "O Vira", "Sangue Latino", "Mulher Barriguda", dentre outros clássicos dos mascarados mais importantes do rock nacional.


Capa do clássico primeiro disco dos Secos & Molhados,de 1973


É o segundo show tributo aos Secos & Molhados que a banda faz, sendo que o primeiro, realizado na boate do DCE, foi um verdadeiro espetáculo psicodélico, com muita piração da banda e da galera presente, que curtiu e dançou como nunca no templo do underground santa-mariense.
Aqui, o cartaz desse primeiro show.

A banda é formada por
Adrienne Reyes no vocal, Adimilson Pinheiro no vocal/guitarra, Matias Rempel no baixo, Guilherme Galina na outra guitarra, Leonardo Campagnolo nos teclados e backs e Fernando Campagnolo na batera. "

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Bem, tem horas que cansa usar o clichê.
Então, escrevo o resto da notícia de forma menos clichezenta:

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Depois da apresentação da Galaxie Blue, quem toca é a João Clichê. Desde novembro, a banda formada por Guilherme Wallau (vocal/guitarra), Cedrique "Cegonha" (baixo) e Faiolo (bateria) prepara um especial com o repertório dos Mutantes.
O elemento que faltava, a voz feminina de Rita Lee, apareceu por acaso para a banda: numas andanças pelas ruas, eles se encontraram com a Juliana Von Muhlen, vocalista da extinta Jardin Zehn, que topou na hora o desafio:

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Tive de aprender algumas músicas, ouví-las de novo. Algumas eu nem conhecia - conta a vocalista, em entrevista para a repórter Bruna Porcíuncula do Diário de Santa Maria.

O baterista Faiolo fala mais sobre o show:
_ É uma responsabilidade maior porque esse é um tipo de show que atrai um público que conhece a fundo o trabalho da banda homenageada. Se a gente fizer algo errado, vão perceber - disse ele, na mesma matéria do Diário de Santa Maria.


Arnaldo, Sérgio e Rita ainda jovenzinhos

O repertório pretende passear pelas mais conhecidas da banda dos irmãos Baptista, como "Balada do Louco, Top-top, Panis et Circences" e outras não tão conhecidas, como "Technicolor" e "Posso perder minha Mulher, minha mãe, desde que eu tenha o meu rock'roll".

Outros convidados para o tributo são André Melão nos teclados e Matias no baixo.
A Galaxie Blue começa a tocar partir da meia-noite, no Macondo Bar (Serafin Valandro, 643, entre Venâncio Aires e Andradas).
Na sequência, vem a João Clichê. Entradas a R$ 5,00.


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6.06.2007

"Cena" de Santa Maria & afins

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Fazia tempo que não divulgava festas e shows em Santa Maria - algumas questões me impediam disso. Porém, aí vão os cartazes e as infos de duas coisas que vão acontecer nesta semana:






Festa Rocka Surf

Como o cartaz entrega, Rocka Surf é uma festa temática que ocorre no Macondo Bar onde se toca rockabilly, surf music e Psichobilly, todos estilos rápidos e bastante dançantes.

A novidade desta edição é a presença da banda porto-alegrense MiniBand, bem conhecida no meio underground da capital, mas aqui por Santa Maria uma completa desconhecida.
Dá uma olhada num trecho do release deles:

" A Mini Band! é um trio formado por Samuel (vocal/guitarra), Alê Cereja (bateria/vocal) e Ferry (baixo). Tocam um som auto-intitulado como "psyco surfcore" (é, psyco sem h, sabe-se lá porque...) e, mesmo com pouco tempo de banda, já são uma das formações mais conhecidas do underground da capital gaúcha."

(Não diz muita coisa, mas foi tudo que achei deles. Melhor ir lá para ver como é a banda).


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Rocky Balboa em versão crema

Show da Crema


A segunda atração da semana é a volta da Crema, velha conhecida deste blog (aqui tem uma resenha sobre o primeiro - e até agora único - single da banda).

A novidade agora é que a Crema está com nova formação: sai Cauã na guitarra e entra o Neny Bittencourt, que já tocou na finada Maloca Blue, uma bela banda santa-mariense de rock'roll (alguns podem conhecê-la pelo especial Beatles que eles fizeram no Coyote Bar, quando este ainda ficava na subida da rua Angelo Uglione, perto do antigo Cine Glória).

Segundo Márcio Gomes, vocalista e tecladista da Crema, a saída de Cauã foi "amigável". O guitarrista agora toca com a Sonnets, também velha conhecida de quem visita esse blog.

Na batera, quem assume sexta é o Chibo, que volta a fazer show com a banda depois de um tempo afastado. Completa a formação o baixista e vocalista Anjinho.

Abaixo, vão as imagens (e o som, lógico) da banda tocando "Você Sabe Sim", também no Macondo.


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Abrindo um parêntese-desabafo


Vocês podem se perguntar: mas, afinal, porque tu só divulgas eventos que acontece no Macondo?

Bem, de maneira simples, digo que é pelo fato de que no Macondo acontecem coisas (festas, shows) relavantes pra cultura de Santa Maria, muito mais do que, por exemplo, as festas do Absinto Hall, ou as boates universitárias do Aldeia Bar, para ficar em dois casos. Isso qualquer um pode perceber, não sou apenas eu que digo. E não vem ao caso detalhar o porquê que uma noitada no Absinto não ter tanta importância para a cena cultural da cidade como uma festa temática dum estilo marginalizado do rock'roll.

É uma pena que a dita cultura "mainstream" não se organize com a eficência da chamada cultura "alternativa" em Santa Maria. Esta última, promovendo festas, espetáculos, shows, sem o uso de publicidade massiva ou o apoio institucional de meios de comunicação, acaba não tendo tanto o foco voltado para o lucro, o que faz com que a criatividade e a diversidade de estilos seja a tônica destes eventos. Mas não se explica essa disparidade apenas pela questão do lucro: muitas vezes, é preguiça das casas de shows/festas/teatros já consolidados em buscar criar uma consciência crítica em seus frequentadores.

Nesse cenário, o "circuito alternativo" - sempre entre aspas, porque o alternativo aqui é o que usualmente falamos - forma-se um público com muito mais senso crítico da realidade e conhecedor das autênticas manifestações culturais de seu tempo e habitat. Ele certamente não será o alienado que aceita tudo que uma rádio comercial impõe como padrão musical de referência, para ficar no exemplo da música, ou aquele que compra a idéia de um blockbuster americano como única verdade em matéria de se fazer e ver cinema: será sim aquele que, incentivado a conhecer as diferentes formas e modelos das manifestações artísticas - música, teatro, cinema -, estará mais apto para aprender e crescer em sabedoria com essas manifestações. A partir disso, o que se fará com essa maior consciência, não importa: interessa é ampliar o acesso das pessoas à esse tipo de conhecimento.



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3.29.2007

Capítulo final da Casa Verde?

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De maneira inusitada, banda santa-mariense anuncia seu último show para hoje à noite no Macondo, na festa “Lost Generation


É uma situação atípica desde o seu princípio: uma banda que raramente faz show será entrevistada quando, anuncia-se, fará a sua última apresentação. As perguntas inevitáveis sobre o futuro da banda, quais os próximos projetos, etc, são trocadas pelas “mas, afinal, porque vocês vão acabar?”. Marcelo Cabala, percussão e voz, explica que Jackson (Xinico, como é conhecido), guitarra, voz e líder da banda, não quer mais tocar com a banda. “Ele tem pouco tempo para ensaiar”, diz Cabala. Para completar o inusitado da situação, Xinico teve de sair mais cedo na entrevista e não teve tempo para dar a sua versão. Alexsandro, baixista da Casa (e que também toca na TSF), confirma a opinião de Cabala, e a resposta fica, por falta de outra melhor, dessa forma: “a banda vai acabar porque o Xinico não tem mais tempo para tocar”.

Criada em 2000, a Casa Verde já passou por inúmeras formações, com variações que iam desde duas guitarras e teclado até a atual, um quarteto de baixo, guitarra, voz, bateria e percussão. Os únicos remanescentes em todas as formações são Xinico e seu irmão, Chiquinho, que toca bateria. A banda tem um CD demo gravado com 12 músicas próprias, que passeiam por um “pop-rock alternativo”, como define Cabala, com referências que vão de Legião Urbana e Pato Fu à Weezer e Raul Seixas. As canções tem nomes como “Apague a luz”, “Ficar aqui”, “Perto de alguém”, “Amanheço e Anoiteço”, todas composições do vocalista/guitarrista. Merece destaque ainda a faixa intitulada “Casa Verde”, uma homenagem à mãe do vocalista.


Alexsandro, Cabala, Chiquinho (na bateria, escondido por Cabala), e Xinico em show no Seattle.


Pelas músicas contidas nesse CD, já dá para se lamentar o término da banda. Em tempos que pop-rock é quase sinônimo de música exclusivamente comercial e “fabricada”, é interessante ver canções pop honestas, sem excessos de melosidade ou apenas uma mera repetição de fórmulas batidas. Apesar de Alexssandro e Cabala confirmarem que esse é o último show da Casa Verde, fica o recado para Xinico: é o último mesmo?

-Jornal A Razão, 29 de março de 2007-

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3.14.2007

Graforréia Xilarmônica em SM

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Sete anos depois do encerramento, uma das bandas mais influentes do rock gaúcho volta às atividades e faz show em Santa Maria neste sábado.


No rock gaúcho recente, do final da década de 1980 até hoje, não existe banda que mais influenciou outras do que a Graforréia Xilarmônica. A mistura de sonoridades (rock’roll, jovem guarda, surf music, música nativista, tropicalismo, dentre outras), as mudanças de andamento bruscas, que lembram uma música erudita desconstruída, as letras de um bom humor tosco e pra lá de irônico, a linguagem urbana típica do gaúcho de Porto Alegre: são todos elementos que, através da Graforréia Xilarmônica, tornaram-se símbolo do que o país inteiro chama de “rock gaúcho”. De tanta gente que influenciou, a Graforréia se tornou um daqueles casos de banda mais reconhecida por outras bandas e músicos do que pelo próprio público. Ou, como também se diz, “uma banda à frente do seu tempo”.

Formada em 1987 por Frank Jorge (baixo e vocal), Marcelo Birck (guitarra e vocal), Carlo Pianta (guitarra) e Alexandre Ograndi (bateria), a Graforréia lançou o seu primeiro disco somente em 1995, o “Coisa de Louco II”, considerado por muita gente da crítica musical como um dos vinte melhores do rock nacional de todos os tempos. É dele um dos grandes clássicos da música produzida aqui no estado, “Amigo punk”, dos inesquecíveis versos:

"Amigo punk, escute este meu desabafo
a esta altura da manhã já não importa o nosso bafo
pega a chinoca, monta no cavalo e desbrava essa coxilha
atravessa a Osvaldo Aranha, entra no parque Farroupilha”

Três anos depois, veio o segundo disco, “Chapinhas de Ouro”, não tão bom quanto o primeiro, mas ainda assim uma excelente coleção de canções das mais diversas sonoridades, com destaque para a faixa “Eu”, regravada pela banda mineira Pato Fu.

Já sem Marcelo Birck, um dos dois compositores principais (o outro é Frank Jorge), a banda decide encerrar “oficialmente” as atividades em 2000. “Oficialmente” entre aspas mesmo porque, de vez em quando, os três integrantes remanescentes ainda tocavam juntos, em shows esparsos em Porto Alegre. Mas cinco anos depois, eles decidem voltar “oficialmente” e gravam o seu terceiro Cd, “Ao vivo”, lançado pela gravadora Senhor F discos no final do ano passado e produzido por Kassin (Los Hermanos, Caetano Veloso) e Berna Ceppas.




É na tour deste Cd que Santa Maria recebe a Graforréia neste sábado, no Macondo Bar (veja o cartaz aqui), a partir das 22h, em festa que comemora os dois anos do bar.
Os ingressos custam R$ 10,00 e estão à venda na loja anexa ao Macondo, a Sick Machine. Na hora, sai R$ 12,00. Boa chance para ver uma das bandas mais criativas já nascidas no RS, e, de quebra, entender que diabos é esse tal rótulo de “rock gaúcho”.

Blog da banda:
http://ranchodealvorada.blogspot.com
Site: http://www.graforreiaxilarmonica.com.br


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3.01.2007

Bad Cock em Santa Maria

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São poucos os santa-marienses que já ouviram falar da banda de Santos (SP) Harry, uma das pioneiras do país em misturar rock com música eletrônica, ainda no início dos anos 80. Uma boa chance de conhecer uma ponta do que foi o Harry é hoje à noite, no Macondo Bar: o vocalista da banda, Hansen, desembarca na cidade pela segunda vez para apresentar o seu projeto solo dedicado à música eletrônica, o “Bad Cock”.

Hansen vem a Santa Maria também para produzir e gravar as novas faixas do Bad Cock no Chain Reaktor Studio da banda Aire'n Terre. A parceria entre ele e Wandeclayt (Aire'n Terre) iniciou-se na primeira passagem do Bad Cock pelo Rio Grande do Sul em abril de 2006. A partir daí as bandas se apresentaram juntas em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo e Wandeclayt colaborou na gravação e produção de faixas do músico santista.

A festa terá ainda discotecagem com muito som oitentista, rock alternativo e música eletrônica. Os ingressos custam R&5,00 e as funções começam a partir das 23h.

O show do Bad Cock também é uma iniciativa do e-zine SMalt (www.smalt.com.br), que prepara a sua volta oficial às atividades musicais/informativas na semana que vem, trazendo algumas boas novidades.



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2.16.2007

Carnaval para quem não gosta de carnaval

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Décima edição da festa do Clube da Criança Junkie é uma boa opção para quem busca um carnaval diferente, pelo menos na sexta-feira...


“Nessa selva de pedra é sempre a mesma coisa: todo mundo trabalha o ano inteiro e quando chega o carnaval...é Globeleza! Esse círculo vicioso que nos conduz para o lado negro da força e acaba deixando nossas férias frustradas não pode nos impedir de pintar o arco-íris de energia. Até porque, hoje eu vou tomar um porre, não me socorre que eu tô feliz!”.


O texto de apresentação da 10º edição da Festa do Clube da Criança Junkie, reproduzido acima com alguns cortes “providencias”, dá bem o tom do que esperar na festa a ser realizada amanhã, no Macondo Bar, a partir das 23h : nada de samba, pagode, axé e assemelhados típicos de festas de carnaval, mas muito pop-rock nacional e internacional dos anos 80 e 90 e até músicas infantis de gente como Xuxa, Balão Mágico, Angélica, dentre outros.

Em sua décima edição, a festa é uma boa opção de diversão no feriadão para aqueles que não gostam do carnaval mais tradicional - de festas em clubes, blocos ou mesmo em quadras de Escolas de Samba, que praticamente monopolizam a programação nesta época em Santa Maria. E quem já foi em alguma das edições anteriores da “festa da Criança Junkie” sabe que diversão é o que não falta por lá.

Amanhã, o especial musical será com uma das grandes bandas do rock nacional, o Ultraje a rigor. As já tradicionais performances, distribuição de doces e exibição de filmes clássicos da década de 1980 também estão na programação. O ingresso custa R$ 7,00 e R$ 5,00 para quem estiver “fantasiado” (?) de anos 80.



-Jornal A Razão, 15 de Fevereiro de 2007-




12.28.2006

Reportagem (17): Retrospectiva 2006

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Shows nacionais, bandas boas (e algumas nem tanto) surgindo, outras sendo (re) apresentadas: assim foi uma parte desse 2006 em Santa Maria mostrado pelo Cenabeatnik
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Última semana do ano, emissoras de televisão fazendo as suas retrospectivas, revistas semanais escolhendo os personagens que se destacaram nos últimos 12 meses, jornais diários selecionando aquilo que de mais importante aconteceu em 2006 para seus cadernos especiais e, por trás de tudo, cada pessoa fazendo (ou começando a fazer) um balanço do que de bom e ruim aconteceu neste sexto ano do século 21. Nada mais natural, então, que o blog também faça a sua retrospectiva. E dá gosto de fazê-la quando uma pequena olhada para trás já é suficiente para dizer que, sim, 2006 foi bom para o cenário musical santa-mariense.


Em primeiro lugar, um ponto que muito incomodava as bandas locais, o de que a cidade não tinha lugares decentes para se tocar, hoje procede só em parte, porque muitos bares e boates dos mais variados estilos passaram a funcionar em 2006 – e alguns com as portas bem abertas para as bandas de Santa Maria. Ainda assim, se a grande maioria destes ainda continua com métodos “esdrúxulos”, para dizer o mínimo, de seleção de bandas, pelo menos outros incentivam a produção local, organizando festas e shows de qualidade sem medo de ousar e criar novos públicos.

Em segundo lugar, muitas bandas novas – e de qualidade – surgiram nos palcos santa-marienses. Com o acesso à música cada vez mais facilitado pela internet, não é mais preciso procurar tanto para se achar pessoas com “afinidades musicais”, o que torna a união destes em prol de um objetivo comum mais fácil.

Com estes dois pontos citados acima é que se cria uma “cena” musical em qualquer parte do mundo. Bares sem medo de abrir para bandas novas incentivam músicos que acabam por identificar um público mais receptivo para as suas composições, e assim está feito o espaço para a criatividade trabalhar. Não se tem como saber se a qualidade musical virá também junto dessa criatividade, mas uma coisa é certa: quanto maior a quantidade de bandas surgindo, mais provável é que algumas delas sejam realmente boas.(...)

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1. Shows nacionais, festas originais





Pode até parecer exagero, ou então um exercício frustrado de futurologia, mas daqui a alguns anos muita gente vai passar pela rua Floriano Peixoto, nas quadras entre a rua Astrogildo de Azevedo e a avenida Presidente Vargas, e vai lembrar de 2006. O local certamente foi um dos mais movimentados na noite da cidade, e grande parte desse movimento se deve ao Macondo Bar. Visto por muita gente como um lugar “alternativo” demais, o bar se consolidou neste ano trazendo bandas conhecidas do cenário independente nacional como Autoramas (na foto acima, o vocalista Gabriel Thomaz), Walverdes, Pata de Elefante, Superguidis, Zefirina Bomba, Júpiter Maçã, dentre outros, e organizando festas para os mais variados gostos, desde para os saudosos pelos sons oitentistas aos apreciadores do fetichismo. Formou um público que se acostumou a escutar o novo e não estranhar, e de quebra se tornou também o principal palco para novas bandas santa-marienses.

Na metade deste mês, o Macondo se mudou; foi para um sobrado maior (foto ao lado) na rua Serafin Valandro, na quadra entre a Venâncio Aires e a Andradas, perto duma conhecida escola de idiomas. A previsão é que ainda no final deste ano bar já comece a funcionar.

Fica a pergunta: será que em 2007 será lembrado como o ano dessa quadra da Valandro?

Esse é novo futuro Macondo, na Valandro

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2. Bandas novas e a volta de velhas conhecidas




O ano de 2006 foi de surgimento de muitas bandas em Santa Maria, e algumas delas estiveram por aqui. A Crema (foto acima) apareceu lá no início do blog, no segundo post (2 de julho), como uma das promessas locais, e no decorrer dos meses acabou se confirmando como umas das boas bandas de rock’roll da cidade. Diversos shows no Macondo Bar, a maioria com boa presença do público, deram o gás necessário para o lançamento do primeiro single, “Você sabe sim”, em novembro, consolidando a banda como um “elo perdido” entre o lado b santa-mariense, mais alternativo e “diferente”, e o lado a, radiofônico, pop (ou rock) sem vergonha de o ser.
Outras bandas novas que estiveram por estas páginas neste ano foram a Consuelo, com sua inusitada mistura de rock, funk e música latina, a Sálvia, talvez a única banda local de reggae, e as vencedoras do maior festival de bandas do interior do estado, o Universo Pop: Polimorfia e Agente Six.





Mas nem só de coisa nova se fez a cena musical da cidade; algumas velhas conhecidas do público local voltaram à ativa com modificações. A Lactuca Sativa (na foto acima, três dos cinco integrantes da banda), depois de uma breve parada decorrente da saída do vocalista, voltou a tocar em Santa Maria com nova formação, divulgando o segundo disco e lembrando alguns velhos hits da banda, como “Dedo Duro” e “Gasolina”, que deixaram sua marca em boa parte da geração que hoje tem entre 18 e 20 e poucos anos.

A Sapato Vermelho, que ganhou bastante reconhecimento com a participação de sua primeira vocalista, Shirle de Moraes, no programa da TV Globo “Fama”, voltou aos palcos com uma nova vocalista, Franciele.

A T.S.F continuou perpetuando a barulheira, mas agora Brasil afora, com duas tours para além do estado e uma indicação para melhor álbum de hardcore nacional no prêmio da Revista Dynamite, além de ter lançado um DVD sobre o giro que fizeram pelo RS junto dos alemães da 54 Suicides.

Outras que fizeram 2006 o ano de volta à ativa foi a Inseto Social e a Doce Veneno, dos conhecidos Sininho e Guilherme Barros, que fez um belo show na boate Confraria na metade deste ano. Vale contar ainda o espetáculo de som e luzes que foi a apresentação da Nocet lançando seu segundo disco, “Bullets”, no Hotel Itaimbé, e a união das bandas de metal da cidade para a organização das duas edições da Hammer Fest realizadas neste ano.

- Jornal A Razão, 28 de Dezembro-

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12.15.2006

Reportagem (16) : O novo Macondo

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Última atividade do bar na rua Floriano Peixoto é hoje. Novo bar pretende reabrir no fim deste mês.


Depois de cerca de 20 meses de atividade, o Macondo Lugar, nome oficial da hoje conhecida “casa verde da Floriano”, vai trocar de lugar. A partir do final de dezembro, o bar vai funcionar na rua Serafin Valandro, entre a Venâncio Aires e Andradas (veja fotos).

Num espaço maior, o novo Macondo terá novidades: no primeiro andar, funcionará um bar nos moldes tradicionais que abrirá às 19h, com mesas e som ambiente. No segundo piso, interligado com o 1º, ficará o espaço para show, que vai abrir por volta das 23h. No subsolo, um conjunto de bandas associadas ao bar vai administrar um pequeno estúdio para ensaios, e o selo de roupas Rock Horrível, que em alguns shows já montava sua banquinha no local da Floriano, agora vai ganhar um lugar fixo, aberto do início da tarde até por volta das 21h.





A justificativa da mudança é contada por Jeff, um dos sócios do local:
_ Quando assinamos o contrato já sabíamos que teria de deixar o atual endereço em cerca de 20 meses. Como a gente não gosta de ficar parado, partimos para um outro lugar - diz.
O prédio atual será devolvido aos donos e, possivelmente, demolido. Desde já fica a lembrança de um lugar que, praticamente sozinho, criou uma "cena" alternativa na cidade, seja com shows de bandas interessantes do país ou mesmo festas com temáticas bastante diferente do que Santa Maria estava acostumada a sediar. O mérito do pessoal do bar também vai no sentido de não ter preconceito com festas/pessoas que praticamente toda uma sociedade "tradicional" ignora e, na tentativa de escondê-la como faz com seus ditos problemas, os trata como párias. A expectativa é de que, o bar continuando com a mesma proposta mas funcionando noutro local, Santa Maria até se acostume com esses párias e, aos poucos, vá perdendo o preconceito em categorizar em mais e melhor aqueles semelhantes da "classe" ou "grupo" a que cada um pertence.






Macondo Circus 2 - A segunda edição do Circus acontece neste final de semana no balneário Parque Serrano, em Itaara. Evento síntese das festividades do ano do Macondo, nesta edição o festival contará com shows de 12 bandas locais e uma nacional, o Bad Cock, do paulistano Hansen, ex-integrante da banda santista Harry. Além disso, haverá uma tenda com o melhor das festas mais tradicionais do bar, como a Fetish Fest, Clube da Criança Junkie (música dos anos 80 e início dos 90), Bela Lugosi is Dead (metal, gotic-rock) e Galo preto (música brasileira), dentre outras. O início do evento está marcado para o sábado à tarde e as linhas Jardim da Serra e Lourenci mantêm ônibus para o balneário até as 23 horas de sábado. O balneário fica a 300m da faixa e tem amplo espaço para estacionamento e camping.

Confira a relação das bandas santa-marienses que vão tocar no evento: TSF, Red House, Palo, Jokers, Tranze, Sapato Vermelho, Crema, Scarpast, Exumados, Sálvia, Voodoo e Daniel Rosa.

-Jornal A Razão, 14 de Dezembro de 2006-

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